Alagoas

Cineasta alagoano Pedro da Rocha morre aos 64 anos em decorrência da Covid-19

Governador de Alagoas lamentou a perda e informou que o Estado vai ajudar na finalização de dois filmes que estavam em conclusão

Redação TNH1 com assessoria Cine Arte Pajuçara | 25/09/21 - 13h34 - Atualizado em 25/09/21 - 13h52
Vera Rocha

Alagoas perdeu neste sábado, 25, o cineasta Pedro da Rocha, que morreu em Maceió aos 64 anos em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. O sepultamento será na tarde de hoje, às 16h, no Parque das Flores, no Tabuleiro dos Martins. 

"O cinema de Alagoas se despede de um de seus maiores talentos. Natural da cidade de Junqueiro, Pedro da Rocha construiu uma trajetória de pioneirismo no audiovisual do estado, ousando produzir suas obras muitas vezes de forma independente, quando ainda não existia qualquer política de fomento. Pedro fez um cinema verdadeiramente popular, sempre atento ao diálogo profundo com o público", publicou o Centro Cultural Arte Pajuçara.

O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), usou as redes sociais para lamentar a morte do cineasta e informar que o Estado está à disposição para finalizar dois filmes que Pedro da Rocha estava dirigindo. 

"O cineasta Pedro da Rocha nos deixou, numa grande perda para Alagoas. Aos familiares, amigos e admiradores, meus sentimentos e minha solidariedade. Estou ciente que ele tem pelo menos dois filmes em conclusão. Um sobre o Centenário da Academia Alagoana de Letras e outro sobre o famoso conflito na ALE em 1957, e o governo do Estado se coloca à disposição para ajudar na finalização desses trabalhos, assim como para a conservação de sua obra".

Entre as principais contribuições que deu para o audiovisual alagoano, Pedro atuou como presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas de Alagoas (ABD&C-AL) no biênio 2009/2010; foi um dos fundadores da Mostra Sururu de Cinema Alagoano; coordenou a Mostra Junqueiro de Cinema, além dos muitos filmes que realizou. 

Na sua filmografia se destacam títulos como “A Risonha Morte de Tião das Vacas” (fic, 13 min., 2005), “Desalmada e Atrevida” (fic, 26 min, 2007), “O Santo Guerreiro do Povo” (doc., 26 min., 2007), “Sol Encarnado” (fic, 17 min, 2012) e “Memórias de uma Saga Caeté” (doc., 20 min, 2012), entre outros. Ele deixa como legado mais de 20 filmes.

Pedro atualmente trabalhava na finalização daquele que será seu trabalho mais ambicioso e complexo, o telefilme documental “O Impeachment - Setembro, 1957, Sexta-feira 13”. O filme narra as tensões em torno do afastamento do governador Muniz Falcão, um dos mais emblemáticos e violentos episódios da vida parlamentar brasileira. 

Pedro nasceu em 1957, filho de Noel Clemente de Oliveira e Terezinha da Rocha Oliveira. Era casado com Vera Rocha, que além de esposa e companheira foi responsável pela produção de muitos de seus projetos. 

COMOÇÃO

O setor cultural alagoano despertou neste sábado sob forte comoção com a notícia da perda de um de seus militantes mais ativos. 

“Poucas vezes conheci alguém simultaneamente feliz, competente, humilde e generoso. Pedrinho era um combo do que de bom pode existir num ser humano pleno”, disse o antropólogo e professor Bruno César Cavalcanti. 

A museóloga e pesquisadora Carmem Lúcia Dantas, grande amiga de Pedro, também manifestou seu sentimento.

“Para além de uma tristeza individual, a morte de Pedro da Rocha é um baque para o audiovisual do Nordeste. Mais que isso: Alagoas perde um arquivo vivo da sua história cultural, sempre de olhar atento e refinado no sentido do registro dos fatos e das pessoas. Pedro era um cara puro e lúcido”. 

Outro interlocutor do cineasta nos debates sobre a cultura e a história de Alagoas, o antropólogo Edson Bezerra fala sobre o amigo de longa data. 

“O Pedro que eu conheci não era feito de pedra, mas um curioso complexo de ternuras, de risos e de bondade. Que vá em paz, pois, um dia, todos nós nos encontraremos dentre abraços e risos”.

Outro veterano da produção audiovisual alagoana, o cineasta Celso Brandão define muito bem o colega: “o cinema alagoano perde seu cineasta mais afetivo”.