Contextualizando

Copa derrotou a polarização política

Em 30 de Junho de 2026 às 19:00

Jair Bolsonaro se elegeu Presidente da República em 2018 popularizando o verde e o amarelo, que identificam o Brasil, como as cores da sua campanha.

Repetiu a dose em 2022, quando tentou a reeleição e foi derrotado por Lula (PT).

Na pré-campanha deste ano Lula e os petistas também adotaram o verde e amarelo, mas veio a Copa do Mundo para misturar cores e corações num só sentimento, como explica a jornalista Eliane Cantanhêde:

"Sim, a Seleção do Brasil venceu não só os adversários até aqui, mas também a exaustiva polarização política, devolvendo a camisa e as cores verde e amarelo para todos os brasileiros. Chegamos às oitavas de final com os estádios americanos e as cidades do nosso País dominados pelo amarelo vibrante, que é de nós todos e ninguém tasca.

A Copa de 2026 pegou o Brasil e os brasileiros desanimados com Ancelotti, a Seleção, a saúde do Neymar, as ausências de Endrick, tudo isso em meio a uma montanha de denúncias de corrupção e muita gente temerosa de usar a nossa camisa para não ser confundida com um lado da polarização.

O clima mudou dentro e fora de campo e nosso amarelo está de volta com a sua força, que o mundo inteiro reconhece e que nós, brasileiros, precisamos honrar. Inclusive com o básico: votando com consciência, informação e segurança. E a eleição não é só para presidente, minha gente! É para governador, deputado e senador.

Quem viu o estádio de Houston todo amarelo para a sofrida, mas linda vitória de virada do Brasil sobre o Japão, não consegue identificar, ali, quem vota em Bolsonaro, Lula, Caiado, Zema, Renan ou qualquer outro que se aventure a disputar as eleições de outubro.

O verde e amarelo está de volta, como se viu também na alegria de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e no País inteiro depois do passe genial de Bruno Guimarães e do gol espetacular de Gabriel Martinelli, que entrou de última hora e salvou o Brasil já nos acréscimos – que, aliás, não acabavam nunca, para desespero do também campeão Galvão Bueno.

É disso que o Brasil precisa: disciplina, estratégia, força, garra, fé, civilidade nas disputas e união soberana contra times, governos e ameaças externas, venham de onde vierem. A Seleção Canarinho ainda tem imensos desafios nesta Copa, mas já se mostra um excelente exemplo.

É preciso insistir em superar a polarização insana entre extremos, passar a discutir política com um mínimo de racionalidade, vasculhar biografias, técnicos, equipes, cobrar propostas factíveis, planos concretos de governo e, depois, ganhe quem ganhar, ficar em cima para fiscalizar e exigir o cumprimento.

Os brasileiros que metem a camisa verde e amarela, que nos deu tantas alegrias em nossa história, em governos de direita, esquerda ou sei lá o quê, também devem vestir a camisa contra a corrupção arrasadora que corrói nossa confiança e compromete o futuro. Ela não é exclusividade de um lado ou de outro – e está vencendo o jogo.

O escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, confirma como a corrupção não tem partido nem bandeira. E temos, ainda, o do INSS, o das Americanas e o do banco do enigmático Edir Macedo, o Digimais, que, vamos combinar, nem sabíamos que existia. Sem falar na infiltração das organizações criminosas nas instituições.

A mesma camisa que é contra tudo isso é a favor das nossas vitórias, mais ou menos como foi, com desonrosas exceções, com 'Eu Ainda Estou Aqui' e 'O Agente Secreto' no Oscar e dos nossos atletas nas Olimpíadas e nas Paraolimpíadas e em cada campeonato da ginástica olímpica, do vôlei, do basquete, do skate, das nossas meninas do próprio futebol... Temos muito a combater, mas é bom ter também o que comemorar."

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