Criador de conteúdo e inspiração no rap: quem era ‘Pikeno’, 14ª vítima do serial killer de Alagoas

Publicado em 15/05/2026, às 10h26
Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

Por TNH1

Criador de conteúdo, fã do rapper Alex NSC e trabalhador do Mercado da Produção. É assim que o pai descreve Joseildo Siqueira Silva Filho, conhecido como “Pikeno”, morto em 8 de janeiro de 2024 por Albino dos Santos, apontado como maior serial killer de Alagoas. O julgamento do caso ocorre nesta sexta-feira (16), no Fórum do Barro Duro, em Maceió.

O jovem estava acompanhado de um amigo no momento em que foi assassinado por Albino. Representando o Ministério Público, o promotor Thiago Riff falou sobre o crime, que teria sido motivado pelo interesse do serial killer na namorada da vítima.

Em entrevista ao TNH1, Joseildo Siqueira Silva, pai de “Pikeno”, contou que o filho gravava conteúdos para as redes sociais e Albino o monitorava através dos locais em que ele postava. 

“No dia foi trágico, todo mundo ficou abalado. Ele trabalhou de manhã no mercado e foi dormir, quando foi umas 17h o chamaram para gravar uns vídeos para internet. Tudo que ele tava vivo, aquele assassino viu ele, o local que ele tava, aí foi lá e matou ele”, explica o pai. 

Quem era Pikeno?

Pikeno trabalhava descarregando caminhões com legumes e verduras e transportando pelo mercado. Mas o que gostava mesmo de fazer era gravar vídeos de humor e dançando para as redes sociais. Vídeos obtidos pela reportagem do TNH1 mostram o jovem brincando. Confira: 

Segundo familiares, a maior inspiração de Joseildo era Alex NSC, um rapper, compositor e ativista social brasileiro, natural de São Miguel dos Campos, no interior Alagoas. Ele é amplamente reconhecido na cena do rap nacional, integrando o grupo NSC (Neurônios SubConsciente) e colaborando com nomes consagrados do hip-hop, como a Facção Central.

“Ele se inspirava no NSC, dizia que um dia seria como ele. O Alex também cresceu assim fazendo vídeo. Todo dia ele saia para gravar danças em praças diferentes. Ele já era conhecido no Instagram”, disse a madrasta de Pikeno, que não quis se identificar. 

Família faz críticas sobre investigação

A família de Pikeno alega que a Polícia Civil de Alagoas poderia ter evitado mais mortes cometidas pelo serial killer. Segundo o pai, na primeira vez que foi ouvido, um delegado chegou a mostrá-lo um vídeo de Albino perseguindo a vítima momentos antes da morte. 

No entanto, foi decidido não divulgar as imagens para a imprensa para preservar as investigações. Familiares acreditam que se o vídeo fosse divulgado antes, Albino poderia ser preso e as outras vítimas não teriam morrido. 

“Onde mataram o Pikeno tinha bastante câmera. A polícia teve acesso, mas não vazou o vídeo. Só veio vazar depois que a Ana Beatriz morreu. Se ele tivesse vazado antes, tinha pegado ele antes. Todo mundo tinha reconhecido ele e sabiam onde ele tava”, afirma a madrasta. 

O TNH1 entrou em contato com a Polícia Civil de Alagoas, sobre as críticas feitas pela família. Em nota, a PCAL disse que não divulgou imagens do suspeito por considerar que o material obtido era inconclusivo, devido à baixa qualidade, aos rostos encobertos e à dificuldade de identificação. "O procedimento segue prática comum para resguardar a integridade da investigação e atender aos requisitos legais. Segundo o delegado Gilson Rêgo, responsável pelo caso, as imagens foram obtidas somente após a ocorrência do homicídio", disse a assessoria de comunicção da PCAL.

"Arcanjo disse que ele era traficante"

Segundo a família, em depoimento, Albino revelou que assassinou Pikeno após o Arcanjo Miguel conversar com ele e dizer que era Joseildo era traficante. A família crebate e diz que a Polícia Civil fez levantamentos sobre isso. 

“A polícia até investigou sobre isso do Joseildo, passou mais futucando e viu que ele não era traficante. Ele disse que matou o Joseildo depois do anjo miguel disse que ele era traficante. Só se traficante for carregar saco de cebola e tomate nas costas.”

Reação da família ao descobrir de Serial Killer

O pai de Joseildo revela que só descobriram que o assassino do filho se tratava de um serial killer meses depois da morte. A família contesta a alegação da defesa utilizada em outros julgamentos que albino seria inimputável por insanidade mental. 

“A gente ficou passado. Como uma pessoa mata a outra sem nunca nem ter visto? Ele dá uma de doido, mas doido ele não é. Uma pessoa que tem distúrbio faz algo com a própria família também. Por que ele nunca fez nada com a família dele?”, indaga a prima de Joseildo FIlho, que também não se identificou.

Relembre os júris do serial killer de Maceió:

  • Primeiro júri - dia 11/04/2025: condenado a mais de 37 anos por morte de barbeiro e outro crime;
  • Segundo júri - dia 06/06/2025: condenado a 24 anos de prisão por morte de mulher trans;
  • Terceiro júri - dia 31/07/2025: condenado a 24 anos de prisão por matar menina Ana Clara no Vergel;
  • Quarto júri - dia 04/09/2025: condenado a 14 anos de prisão por tentar matar jovem no Vergel;
  • Quinto júri - dia 31/10/2025: condenado a 27 anos e 1 mês pela morte de Tâmara Vanessa dos Santos e pela dupla tentativa de homicídio contra a mãe de santo Leidjane Gomes de Freitas e José Gustavo Carvalho na Ponta Grossa;
  • Sexto júri - dia 13/11/2025: condenado a 24 anos e 6 meses de reclusão pelo assassinato de Beatriz Henrique da Silva; e 5 meses e 8 dias de reclusão por lesão corporal contra o filho dela, de apenas 4 anos de idade no dia do crime, totalizando uma pena de 24 anos, 11 meses e 8 dias.
  • Sétimo júri - dia 05/03/2026: condenado a 22 anos, 5 meses e 15 dias de reclusão pela morte de Genilda Maria da Conceição, de 71 anos, vítima do criminoso em 2019. O homicídio ocorreu no Beco de Zé Miguel.

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