"De casa para igreja e escola": avó de menina estuprada e morta depõe em júri e relata rotina da criança

Publicado em 18/08/2026, às 13h16
Menina foi estuprada e assassinada no interior de Alagoas, em janeiro de 2025 - Foto: Reprodução
Menina foi estuprada e assassinada no interior de Alagoas, em janeiro de 2025 - Foto: Reprodução

por Eberth Lins

Publicado em 18/08/2026, às 13h16

O julgamento de Victor Emanuel Silva de Souza, acusado de estuprar e matar a menina Anna Cecillya dos Santos Silva, de 9 anos, em Branquinha, Alagoas, teve como destaque o depoimento emocionado de sua avó, que relatou a rotina da criança e o dia de seu desaparecimento.

Maria Aparecida dos Santos descreveu Anna como uma menina tranquila que costumava brincar na esquina de casa, e revelou que, após seu desaparecimento, a família e a comunidade se mobilizaram para as buscas, que contaram até com a participação do adolescente acusado.

O corpo de Anna foi encontrado oito dias após o desaparecimento, e Victor Emanuel responde por homicídio qualificado, estupro de vulnerável, ocultação de cadáver e corrupção de menor, enquanto a avó fez um apelo por justiça aos jurados durante o julgamento.

Resumo gerado por IA
A avó da menina Anna Cecillya dos Santos Silva, de 09 anos, depôs nesta terça-feira (18) e relatou a rotina da neta, que foi estuprada e morta em Branquinha, no interior de Alagoas, em janeiro de 2025. A idosa é uma das testemunhas no julgamento de Victor Emanuel Silva de Souza, acusado de envolvimento na morte da criança.
Emocionada, Maria Aparecida dos Santos descreveu Anna Cecillya como uma menina tranquila, que mantinha uma rotina entre a casa, a escola e a igreja. “Era uma menina tranquila, ia pra igreja, pra escola”, disse a avó.
Maria Aparecida contou que, no dia do desaparecimento, a neta estava brincando na esquina onde costumava ficar. A avó havia saído para trabalhar e, durante o trajeto, disse ter visto um adolescente que também é apontado como envolvido no caso e cumpre medida socioeducativas.
“Ela estava brincando na esquina onde ela era acostumada a brincar. Eu fui pra o trabalho. Na outra rua, indo pra o trabalho, eu avistei o menor e disse pra Cecília ir pra casa. Ela fez que ia pra casa, mas não foi e retornou”, relatou.
Após trabalhar realizando a coleta de materiais recicláveis e levando o material para a cooperativa, Maria Aparecida conta que voltou para casa e a família percebeu que a menina estava desaparecida.
“Quando eu fiz minha coleta, levei o material pra cooperativa, e na volta, umas 4h da tarde, sentimos falta dela. O corpo só foi encontrado oito dias depois”, relembrou.
A avó contou ainda que a família iniciou as buscas naquele dia. Parentes procuraram a menina de porta em porta, enquanto moradores da comunidade e o Corpo de Bombeiros também participaram das buscas. No primeiro dia, conforme o relato, o adolescente envolvido nos crimes também participou das buscas junto à família.
Ao lembrar da neta, Maria Aparecida disse que nunca havia visto contato entre a menina e o adolescente. “As crianças brincavam na rua. Nunca tinha visto contato da criança com esse adolescente. Não costumava ver esse adolescente brincando com nenhum dos meus netos", acrescentou. 
O corpo de Anna Cecillya foi encontrado oito dias após o desaparecimento, em uma área de mata de Branquinha.
Investigações sobre os acusados
As investigações apontaram Victor Emanuel, então com 25 anos, e um adolescente de 17 anos como suspeitos. Victor era namorado da tia de Anna Cecillya e havia passado a morar com ela pouco antes do crime.
Em entrevista coletiva realizada na época, o delegado Thales Araújo afirmou que o adolescente de 17 anos havia confessado o estupro e relatado detalhes sobre o que teria acontecido com a menina.

O adolescente também afirmou que teria sido ameaçado para participar do crime. Na ocasião, porém, a Polícia Civil informou que essa versão ainda seria analisada, porque havia pontos do depoimento que não coincidiam com outras informações levantadas pela investigação.

Victor Emanuel foi autuado pelos crimes de homicídio qualificado, estupro, ocultação de cadáver e corrupção de menores.

O adolescente envolvido no caso não está sendo julgado pelo Tribunal do Júri. Como tinha 17 anos quando os fatos aconteceram, ele respondeu de acordo com as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ele já recebeu medida socioeducativa de três anos por atos infracionais correspondentes aos crimes de homicídio e estupro.

Agora, cabe aos jurados decidir sobre as acusações contra Victor Emanuel.

Ao final do depoimento, aos prantos, a avó fez um apelo aos jurados. “Eu só peço a Deus e a vocês que a justiça seja feita", complementou. 

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