A Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, lançada pela ONU, revela uma grave crise ambiental nos oceanos, exacerbada por mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição marinha, afetando a regulação do clima e a sobrevivência de economias costeiras.
Cerca de 37% da população mundial vive a menos de 100 km da costa, contribuindo para a degradação dos habitats marinhos, enquanto a temperatura dos oceanos aumentou significativamente, com o nível do mar subindo de 1,9 mm/ano em 2015 para 4,3 mm/ano em 2023.
Embora haja esforços globais para reduzir emissões e proteger os oceanos, a ONU alerta que as iniciativas atuais de restauração contribuem apenas com 2% das metas de mitigação climática, destacando a necessidade de ações rápidas e coordenadas em nível internacional para enfrentar a poluição plástica.
A Terra recebe o apelido de “planeta azul” não por acaso. Cerca de 70% dela é coberta pelos oceanos, que além de abrigarem gigantesca biodiversidade, são importantes para a regulação do clima ao absorver a maior parte do excesso de calor no planeta e para a sobrevivência de diferentes economias e culturas. Porém, tempos recentes estão colocando em ameaça esse bem precioso do planeta.
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Lançada nesta segunda-feira (8), a Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, documento elaborado pela ONU com o apoio de 550 especialistas, descreve a grave crise ambiental que atinge os oceanos envolvendo fatores como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição marinha.
Dados ao longo das décadas
Em 2024, cerca de 37% da população mundial vivia a menos de 100 km de regiões costeiras. É uma concentração populacional associada a moradias, atividades econômicas e estruturas industriais que influenciam no descarte de resíduos e na degradação de habitats de espécies marinhas.
O novo relatório de 1600 páginas descreve que, primeiramente, as mudanças climáticas, impulsionadas pela atividade humana, têm acelerado o aumento do nível do mar a partir do derretimento de calotas polares. Desde 1955, 16% do aumento total de temperatura dos oceanos ocorreu após 2018, sendo que, no Ártico, as temperaturas estão subindo quatro vezes mais rápido que a média global.
A taxa de elevação do nível do mar também aumentou de 1,9 mm/ano em 2015 para 4,3 mm/ano em 2023. Essa mudança afeta especialmente a vida marinha, que sofre cada vez mais com mudanças na temperatura e disponibilidade de oxigênio nos oceanos. Aproximadamente 80% dos recifes de coral do Caribe desapareceram desde a década de 1970.
“Noventa por cento dos recifes de coral globais podem desaparecer se o aquecimento ultrapassar 1,5°C acima dos níveis industriais. Ecossistemas costeiros críticos, como manguezais e pradarias marinhas, continuam diminuindo”, diz um comunicado da ONU.
Soluções de escala global
Como não poderia deixar de ser, a poluição marinha também teve espaço na terceira edição do documento da ONU. Segundo a organização, mais de 52 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam ao oceano, contribuindo para um total estimado de 24 trilhões de partículas de microplástico.
Um comunicado que trata especificamente sobre os problemas da poluição plástica afirma que a parcela dos materiais que são coletados na superfície e em praias representa apenas de 3 a 4% do total de plástico nos oceanos. Grande parte do problema está dispersa nas águas, submersa, fragmentada ou de difícil recuperação.
A boa notícia é que governos e lideranças do mundo já aplicam e desenvolvem abordagens de redução de emissões e maior proteção marinha. A má notícia, segundo a ONU, é que esforços de restauração de ecossistemas oceânicos colaboraria com apenas cerca de 2% com as metas globais de mitigação das mudanças climáticas.
Mudanças devem vir de uma ação global rápida e coordenada através de acordos e tratados internacionais. O Comitê Intergovernamental de Negociação sobre Poluição Plástica foi criado em 2022 para criar uma solução em escala mundial para a poluição plástica, porém, após seis anos de negociações, não se chegou a um acordo entre os 193 Estados-membros da ONU.
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