Embaixada dos EUA no Brasil fechou devido a suposta ameaça de bomba em rede social

Publicado em 03/10/2026, às 08h43
Luis Dantas/Divulgação
Luis Dantas/Divulgação

Por Patrícia Campos Mello/Folhapress

Os Estados Unidos fecharam sua embaixada e consulados no Brasil após uma ameaça de bomba divulgada em redes sociais, uma medida que reflete a seriedade com que o país trata tais situações, mesmo que não haja evidências concretas de risco iminente.

Embora ameaças a missões diplomáticas sejam comuns, a decisão de fechamento foi considerada incomum por diplomatas, que afirmam que normalmente apenas ameaças com credibilidade levam a tais ações, especialmente em um contexto onde não foram identificados suspeitos ou planos concretos.

A Polícia Federal do Brasil conduziu operações de busca e apreensão sem encontrar elementos que confirmem a ameaça, enquanto outros países, como a Austrália, também suspenderam atendimentos em suas representações no Brasil, citando preocupações de segurança semelhantes.

Resumo gerado por IA

Um perfil em rede social dizendo que colocaria uma bomba na embaixada americana foi o motivo que levou os Estados Unidos a fecharem sua embaixada e consulados no Brasil, segundo apurou a Folha de S.Paulo com autoridades envolvidas na investigação.

Uma operação policial chegou até o autor da ameaça e não encontrou nada.

Segundo diplomatas americanos ouvidos pela reportagem, é bastante comum que haja mensagens com ameaças nas redes sociais a consulados e embaixadas americanas ao redor do mundo e elas são levadas muito a sério, dado o histórico de atentados contra o país. Mas não necessariamente levam a fechamento de todas as unidades diplomáticas dentro de um país.

Normalmente, agentes da inteligência americana avaliam se há credibilidade nas ameaças online, que chegam a dezenas por dia, e só então agem, para não gerar pânico ou instabilidade no país onde estão as missões diplomáticas.

Segundo um diplomata que preferiu não ser identificado, o fechamento gerou estranhamento. "Recebemos essas ameaças o tempo todo, mas só fechamos tudo se houver informações confiáveis [de que se trata de algo sério]. Embora as chefias de posto possam resolver fechar só para garantir a segurança ou quando o cenário é complicado, não parece ser o caso do Brasil."

O governo dos Estados Unidos suspendeu o atendimento em suas representações no Brasil a partir desta sexta-feira (2). O comunicado, publicado na véspera, diz que a decisão se dá por questões de segurança, sem citar mais detalhes sobre a motivação da medida.
Não há, por ora, previsão para o retorno dos atendimentos presenciais.

Em nota, a Polícia Federal disse não ter encontrado elementos que confirmem um suposto planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil. A corporação cumpriu nesta sexta dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar o caso.

Segundo a PF, também não foram identificados suspeitos de envolvimento com organizações criminosas. A ação teve caráter preventivo e ocorreu no âmbito de uma investigação sigilosa, resultado da cooperação da corporação com agências de inteligência estrangeiras.

As investigações continuam com a análise dos equipamentos de comunicação e das mídias apreendidos durante as buscas. A corporação afirma que outras providências poderão ser adotadas a depender do resultado dessa análise.

"Cidadãos americanos que precisarem de assistência emergencial durante esse período não devem comparecer à embaixada, aos consulados ou a outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos", diz a nota divulgada. A orientação dada é entrar em contato com o oficial de plantão responsável pelo atendimento.

Pouco após o anúncio dos EUA, o governo da Austrália informou que cancelou o atendimento em sua embaixada e consulados, também citando preocupações de segurança. Um comunicado publicado no site de turismo do governo alerta seus cidadãos para possíveis ameaças terroristas e crimes violentos no Brasil. E pede ainda que as pessoas evitem as áreas próximas das repartições diplomáticas americanas.

Além da embaixada em Brasília, os EUA têm consulados em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Já a Austrália tem embaixada no DF e consulados nas capitais paulista e fluminense.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a gestão de Donald Trump "tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos" e que a pasta está "trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança".

O governo australiano, por sua vez, recomendou que seus cidadãos "exerçam um alto grau de cautela" no Brasil devido ao "risco de crimes violentos". O alerta citou ocorrências como assaltos à mão armada e roubos de veículos e mencionou também possíveis ameaças terroristas.

"O terrorismo representa uma ameaça em todo o mundo" e "ataques terroristas podem ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento", diz o texto.

O comunicado ainda alertou que manifestações políticas e aglomerações podem ocorrer antes, durante e depois do pleito brasileiro, mas não detalhou quais seriam os riscos diretamente relacionados às eleições.

Canadá, Reino Unido, Alemanha e Irlanda emitiram alertas de segurança relacionados à eleição para viajantes ao Brasil. A recomendação de todos é de evitar locais com grandes aglomerações e manifestações, monitorar a imprensa local para se manter informado e seguir as instruções de autoridades.

Gostou? Compartilhe