Polícia

Empresário nega dívida e relata detalhes de sequestro no Trapiche: 'Mostraram vídeo do meu filho'

Redação TNH1 | 27/05/20 - 14h02 - Atualizado em 27/05/20 - 15h03

O empresário Rodrigo Bueno, resgatado pela polícia após ser vítima de um sequestro no último domingo, 24, emitiu uma nota de esclarecimento nesta quarta-feira, 27, em que nega ter dívida com os acusados e relata detalhes do crime que começou no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió. 

"Em pronunciamento oficial, eu, Rodrigo Bueno, venho a público dar esclarecimentos e desmentir as acusações deferidas após ser sequestrado, torturado e sofrer tentativa de extorsão com a utilização de informações inverídicas sobre uma suposta dívida", diz o empresário no início da nota e prossegue.

"Por volta das 14h50, eu fui abordado por dois supostos “policiais” fardados com uniforme da Polícia, me obrigando a sair do meu carro, após apresentar um suposto “mandado de prisão”. Me levaram para outro veículo com um dos supostos “policiais”, enquanto o outro suposto “policial” conduzia o meu veículo. Fui encapuzado e direcionado a um Motel localizado no bairro São Jorge". 

Bueno afirmou que, após ser amordaçado, foi ameaçado e que chegou a ver vídeos do dia a dia do próprio filho, exibidos pelos sequestradores como forma de tortura e pressão psicológica. 

"No local, eu fui amordaçado com fita adesiva, algemado e colocado engasga gato no meu braço esquerdo, o qual o sequestrador me avisou que eu tinha poucos minutos de vida, pois meu coração iria parar. Foi aí que deu início a uma sessão de tortura, mostrou inclusive vídeos do dia a dia do meu filho, e após isso houve a tentativa de extorsão sendo apontada uma arma a todo momento em direção a minha cabeça. Durante todo esse tempo, ele pedia uma quantia de 250 mil reais", detalhou. 

Os dois suspeitos do sequestro alegaram, em depoimento à polícia, que queriam cobrar uma suposta dívida de R$ 250 mil acumulada após um investimento feito pela vítima na bolsa de valores. A informação foi repassada pelo delegado José Carlos Santos, da Seção Antissequestro e Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, em entrevista à Rádio Pajuçara FM Maceió 103,7, na manhã dessa segunda-feira, 25.  

"Não há nenhuma dívida em meu nome, fato que esclareci ao delegado em meu depoimento o qual prestei na presença de meus advogados, César Filho, André Dantas e Pedro Andrade, disponibilizei provas ao Delegado da Polícia Civil através de cópias dos comprovantes de transferência depositados aos acusados, além de ter disponibilizado meu celular para fazer perícia, caso o delegado achasse interessante, além dos comprovantes de transferência, os quais comprovam que não há dívidas, pois tenho tanto os comprovantes dos valores que recebi, quanto os comprovantes dos valores que eu repassei ao acusado, agindo de maneira transparente e idônea para investigação e apuração dos fatos, pois eu fui vítima de um crime terrível, sem motivos", afirmou o empresário em nota.

Cesar Filho, um dos advogados de Rodrigo Bueno, disse ainda que todos os desdobramentos da investigação em andamento serão acompanhados, inclusive, as perícias e os afastamentos dos sigilos telefônicos e outros, que porventura, venham a ser requeridos. 

"O empresário Rodrigo Bueno, mesmo abalado emocionalmente, compareceu voluntariamente à delegacia, onde disponibilizou a investigação toda a matéria probatória para a comprovação de que não há nada relacionado a cobrança de dívidas, e sim um crime bárbaro cometido contra o mesmo", pontuou.

Entenda o caso

A polícia encontrou, dentro de um quarto de motel, nesse domingo, 24, o empresário vítima de sequestro em Maceió. O homem estava amarrado com os braços para trás e com capuz na cabeça, sendo mantido em cárcere privado. Os criminosos foram presos em flagrante.

Segundo informações do Batalhão de Radiopatrulha, os agentes foram informados sobre um sequestro no Trapiche da Barra, bairro da parte baixa da capital alagoana, onde um homem foi abordado por bandidos e colocado dentro do próprio carro, um Jaguar azul, dando a partida do veículo logo depois. 

Através do rastreador do celular da vítima, os policiais se deslocaram para a Rua Prisciliano Sarmento, em São Jorge, onde um motel havia sido indicado como o local onde o empresário era mantido em cárcere privado. 

Depois de entrar no estabelecimento, os militares flagraram a vítima encapuzada e amarrada dentro do quarto, na companhia de um sequestrador. O outro estava dentro do carro estacionado na garagem, com um arma de fogo. Nenhum deles reagiu.

A imagem que ilustra a reportagem foi autorizada pelo advogado da vítima.