“Era um relacionamento abusivo”, desabafou vítima de feminicídio à mãe antes de morrer

Publicado em 16/04/2026, às 17h21
Divulgação/MPAL
Divulgação/MPAL

Por TNH1

André Luiz Ramos Santa Cruz foi julgado por feminicídio da ex-namorada Anne Larissa Nepomuceno, assassinada em outubro de 2024 em Maceió, com o júri sendo conduzido pelo juiz Yulli Roter no Fórum do Barro Duro.

Anne, de 40 anos, era independente e recém-formada em enfermagem, mas estava em um relacionamento abusivo com o réu, que a ameaçava e invadiu sua casa um dia antes de seu assassinato.

Durante o julgamento, a defesa contestou a causa da morte, sugerindo suicídio, enquanto a acusação apresentou evidências de invasão e estrangulamento, com a prisão do réu ocorrendo após ele ser localizado em uma ilha, onde estava foragido.

Resumo gerado por IA

André Luiz Ramos Santa Cruz sentou no banco dos réus nesta quinta-feira (16), para ser julgado da acusação de feminicídio contra a ex-namorada, Anne Larissa Nepomuceno, em outubro de 2024, no bairro do Feitosa, em Maceió. O júri popular ocorre no Fórum do Barro Duro e está sendo conduzido pelo juiz Yulli Roter.

Durante os depoimentos, a mãe da vítima contou que Anne, de 40 anos, morava só, era independente, era a mais nova de três e recém-formada em enfermagem. No entanto, na época, ainda não exercia a profissão e trabalhava em um depósito de bebidas. Ela disse que a mulher conheceu o réu em um estabelecimento na Jatiúca e ele contou que trabalhava com um vereador, que poderia arrumar um emprego para ela.

“Ela se apegou àquela ‘tábua de salvação’, pois tinha se formado em janeiro e não havia conseguido, ainda, emprego na área, fazia alguns bicos na saúde. Minha filha era levada para eventos e exercia a profissão. Ela não era esposa, eles tinham um relacionamento, mas era abusivo. Uma vez eu estava com Anne e ele pediu para ela tirar uma foto comigo pra provar que estávamos juntas", relatou.

Um dia antes da morte de Anne, elas almoçaram juntas, conversaram bastante e a mãe perguntou sobreo  André, ao que a filha respondeu que não estava mais com ele, porque aquilo era “um relacionamento abusivo”. “O que ela não me disse foi que o ex-namorado tinha invadido a casa dela”.

“Quando terminamos de almoçar, fomos a uma loja, compramos calças legging pra ela e disse que ia pra casa dormir. Isso da sexta para o sábado. Falei com ela por volta das 2h da manhã, e ela disse que estava no trabalho, muita gente e não daria pra conversar naquele momento. Esperei minha filha no outro dia, ela não fez contato algum, liguei de dia, de noite, sem retorno. Mandei mensagem dizendo: ‘minha filha pelo amor de Deus, atenda o celular’. Mas não a ouvi mais".

O réu afirmava que o vereador para quem trabalhava arrumaria um emprego para ela, que a fez, inclusive, fazer campanha. No entanto, no dia desse último almoço, Anne contou que já não tinha mais contato e que André estava a ameaçando. 

Ao juiz, a mulher relatou que faz uso de medicamentos para depressão e que “achava que não aguentaria a dor”. Assim que o réu entrou no salão do júri, ela passou mal e precisou de atendimento médico. 

O que diz a defesa

A defesa contestou o laudo pericial que apontava morte por estrangulamento, levantando a tese de que a vítima teria “tirado a própria vida”. Segundo eles, não haveria a possibilidade, uma vez que “não havia outra lesão no corpo”. 

A médica-legista ouvida, Dra. Thais, afirmou que a morte não foi suicídio. “Tenho experiências com este tipo de vítimas. Nas mulheres encontramos muitas marcas, porque nelas, geralmente, encontramos muitas marcas. Os homens são mais precisos, eles já vão na maneira certa. Geralmente, as mulheres cortam os pulsos, não é comum o enforcamento. Estou falando que depois que ela morreu, ficou deitada. Não estou falando se ela foi estrangulada em pé, deitada ou sentada, estou falando da consequência. Como é que uma pessoa se enforca e se deita depois?”, indagou ao advogado de defesa Raimundo Palmeira.

Réu pulou o muro da casa

Ao juiz, durante o interrogatório, André negou a autoria do crime, no entanto, confirmou que pulou o muro da casa da vítima para “ver quem estava lá” por “preocupação com ela”. “Todo mundo sabe que a região é perigosa e vi que tinha uma moto na porta da casa dela. Não sei explicar, só tive vontade de pular [o muro]”.

O promotor do Ministério Público do Estado de Alagoas, Antônio Vilas Boas, perguntou e o réu admitiu que, no dia anterior ao crime, tinha dormido na casa da vítima e que saiu de lá por volta das 9h30. Também foi questionado se, neste mesmo momento, houve uma discussão e ele disse que não. No entanto, Vilas Boas mostrou uma foto que mostra a discussão.

A invasão da casa foi flagrada por câmeras de segurança, segundo a acusação. "Ele fez um simulacro de suicídio. Para se suicidar é preciso que a vítima suba em alguma coisa, uma cadeira, um tamborete, uma árvore, lá, na casa, não tinha nenhum móvel perto do corpo da Larissa”.

O caso 

Um homem de 39 anos foi preso, no dia 29 de outubro de 2024, suspeito de matar a ex-namorada. Ele estava foragido e foi localizado em uma ilha, situada nos canais que ligam Maceió a Marechal Deodoro, próximo ao bairro do Pontal da Barra. A prisão foi em cumprimento de um mandado expedido pela Justiça de Alagoas.

O crime aconteceu no dia 13 de outubro, dentro da casa da mulher, na Travessa Professor Macário, no bairro do Feitosa, parte alta da capital. A vítima foi identificada como Anne Larissa Nepomuceno. De acordo com as investigações, Anne Larissa estava separada há cerca de seis meses do ex-marido Anderson Tavares da Silva e tinha um relacionamento com o suspeito.

Dias antes do assassinato, a vítima estava em companhia do ex-marido dentro de casa, e o namorado não gostou de ver os dois juntos, o que causou uma discussão entre os três e, após a briga, o namorado foi embora. No dia do crime, os vizinhos sentiram a falta de Anne Larissa e chamaram o ex-marido que, ao entrar na casa, encontrou a ex morta.

Gostou? Compartilhe