Estudante cearense relatou supostas ameaças do namorado em áudio pouco antes de morrer

Publicado em 29/09/2026, às 17h59
Reprodução
Reprodução

Por Folhapress

A estudante universitária Isabelle Caracristi, 22, que morreu em 13 de setembro após cair de um prédio em Fortaleza (CE), relatou, em áudios enviados pouco antes de morrer, que estaria se sentindo ameaçada pelo namorado. Laudos prévios da polícia indicam que ela teria se jogado do último andar do edifício.

Os áudios foram divulgados pelo programa "Fantástico" no domingo (27), e a defesa da família de Isabelle confirmou à Folha a veracidade do material. Segundo a advogada Patrícia Viana, que representa a família, os áudios foram encaminhados a um primo e uma amiga.

João Munhoz Neto está preso preventivamente desde o dia 22 por, segundo a polícia, apresentar postura não colaborativa na apuração e indícios de violência psicológica. A defesa nega as acusações.

"Estão acontecendo coisas sérias, coisas graves, que eu venho guardando só para mim. São ameaças diretas vindas dele, entendeu?", disse ela. No áudio enviado ao primo, ela também pediu que ele cuidasse da mãe dela.

Até a noite de segunda-feira (28), a Polícia Civil já havia ouvido 28 pessoas na investigação da morte da estudante. Ainda segundo a polícia, 13 laudos já foram concluídos sobre o caso. O caso segue sob segredo de Justiça. A polícia continua analisando celulares e ao menos 700 registros feitos por câmeras de segurança.

Em outro áudio enviado ao primo, ela relatou que o namorado teria atitudes controladoras.
"Tudo que eu faço é ameaça, ameaça, tudo, absolutamente tudo. Eu não consigo, por exemplo, fazer nada sozinha, porque se ele não estiver junto, ele fica supondo coisas. Eu não posso postar foto, porque ele acha ruim, enfim, vários fatores de uma pessoa doente, sabe?"

Ela também enviou um áudio a uma amiga comentando o relato que havia feito ao familiar. "Eu não tô legal. Eu tô passando muito, muito mal. Eu até mandei um áudio para o meu primo e para algumas pessoas da família, porque simplesmente esse João é um louco, é um louco", disse.

"Estava me proibindo até de sair do prédio. Ele ficava no meio da porta, me proibindo de sair, e eu simplesmente não aguento mais. Eu estou cansada", continuou.

Imagens mostram Isabelle pela última vez sozinha no elevador, às 19h12. Pouco antes, João havia saído de casa para ir à missa.

No mesmo dia, João teria cobrado Isabelle por um empréstimo de R$ 13,5 mil e dito que precisava do dinheiro até quarta-feira, dia 16. Ela respondeu que havia tido muitos gastos naquela semana, e João teria respondido que estavam "em um beco sem saída".

A defesa de Isabelle confirma que João havia feito um empréstimo a ela, e diz que ele teria agido de forma mais controladora após ceder os valores.

Em nota, a advogada Lígia Peixe, que faz a defesa de Munhoz Neto, disse que as conversas fazem parte de um diálogo mais extenso. "Apresentadas de forma isolada, elas não refletem o conteúdo nem o tom do diálogo como um todo."

Ainda segundo a advogada, a íntegra da conversa no inquérito mostra que os valores teriam sido entregues a Isabelle para aplicação em um investimento apresentado por ela, com promessa de devolução, e que as mensagens incluíam "manifestações de confiança, apoio e cuidado" por parte de João.

RELEMBRE O CASO
Segundo a SSPDS (Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará), a morte ocorreu por volta das 20h40. O laudo cadavérico apontou politraumatismo, com lesões compatíveis com o impacto contra o solo, sem outras marcas que poderiam indicar briga corporal.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, havia informações de que Munhoz Neto teria retornado ao condomínio no dia seguinte à morte de Isabelle para procurar o celular dela.

"Ele proibiu a entrada da família no condomínio. Em nenhum momento, pessoalmente, tentou contato com a família. Temos informações de que o apartamento teria sido limpo e colocado à venda", disse Márcio.

Ainda segundo o delegado-geral, os depoimentos apontam para um relacionamento abusivo e indicam que João limitava a liberdade de circulação de Isabelle.

Gostou? Compartilhe