Influenciadora brasileira processa maior youtuber do mundo por assédio; entenda o caso

Publicado em 24/04/2026, às 23h43
Ex-executiva da Beast Industries relata ambiente tóxico, comentários inapropriados da diretoria e exigência de trabalho durante o trabalho de parto no hospital - Reprodução/Redes Sociais
Ex-executiva da Beast Industries relata ambiente tóxico, comentários inapropriados da diretoria e exigência de trabalho durante o trabalho de parto no hospital - Reprodução/Redes Sociais

Por O Tempo

Lorrayne Mavromatis, influenciadora brasileira, processou a empresa do youtuber MrBeast nos EUA, alegando assédio moral e sexual, além de discriminação e demissão durante a licença-maternidade, o que gerou um ambiente corporativo hostil.

Durante os três anos em que trabalhou na Beast Industries, Mavromatis relatou que suas queixas foram ignoradas e que sofreu retaliações, incluindo um rebaixamento após denunciar as condições de trabalho à gestão de recursos humanos, que é ligada à família de MrBeast.

A situação se agravou durante sua gravidez, quando ela foi forçada a trabalhar em condições adversas, culminando em sua demissão duas semanas após o retorno da licença-maternidade, com justificativas consideradas discriminatórias pela defesa da influenciadora.

Resumo gerado por IA

A influenciadora brasileira Lorrayne Mavromatis, de 33 anos, abriu um processo judicial contra a empresa do youtuber americano MrBeast nos Estados Unidos. A ex-executiva da companhia denunciou publicamente nesta terça-feira (23/04) ter sofrido assédio moral e sexual da alta direção. A ação, que inclui acusações de discriminação e demissão na licença-maternidade, tramita no Distrito Leste da Carolina do Norte.

A profissional atuou na liderança das estratégias de conteúdo digital e relatou que a administração promovia um ambiente corporativo hostil. Segundo a denúncia, o ex-CEO James Warren a obrigava a participar de reuniões a sós em sua residência. O executivo, que é primo de MrBeast, justificava as medidas ao alegar que a beleza da brasileira deixava o criador de vídeos "fisicamente desconfortável".

O cenário discriminatório perdurou durante os três anos em que ela esteve vinculada à produtora multimídia Beast Industries. "Uma mulher falando significava que ela era um problema, e isso provou ser verdade depois de ter todas as minhas queixas completamente descartadas", declarou a influenciadora. Ela narra ter sido ofendida com o termo "burra" ao sugerir novas abordagens comerciais aos líderes.

Veja o vídeo completo:

Omissão de RH e retaliação estrutural

O caso ganha contornos mais graves devido ao aparente conflito de interesses na estrutura familiar que comanda os recursos humanos da companhia milionária. Em novembro de 2023, a vítima formalizou uma queixa sobre as condições hostis para a chefe de RH, Sue Parisher. A gestora do departamento é mãe de Jimmy Donaldson (MrBeast) e tia do ex-CEO apontado como agressor.

Aproximadamente dois meses após o alerta interno, as denúncias de assédio foram oficialmente consideradas "infundadas" pela liderança corporativa. Como retaliação direta, a brasileira sofreu um rebaixamento imediato, sendo transferida no mesmo dia do seu alto escalão executivo para uma gerência intermediária. O trauma fez a jovem adotar o uso de roupas largas para tentar "desaparecer" nos corredores.

Desgaste na gravidez e demissão

O conflito interno atingiu o estopim durante a gestação da colaboradora, que relatou violações aos seus direitos maternos no país norte-americano. A ex-funcionária afirma ter sido forçada a participar de uma reunião de trabalho remotamente enquanto estava em pleno trabalho de parto no hospital. O retorno presencial à sede da empresa foi exigido com apenas uma semana de puerpério.

Além da exaustão física e mental extrema, a executiva precisou viajar a trabalho quando a bebê tinha apenas um mês de vida. Para a profissional, a maior dor foi perder o convívio inicial com a filha recém-nascida. O desligamento definitivo e sem justa causa ocorreu apenas duas semanas após ela retornar do período que deveria ser inteiramente destinado à sua licença-maternidade.

De acordo com o relato divulgado pela defesa, a justificativa da diretoria foi discriminatória. "Você é muito alto calibre para esta posição. Precisamos de alguém de calibre inferior", teria afirmado um gestor no momento da demissão. O estopim jurídico para a disputa judicial ocorreu após uma queixa prévia feita pela influenciadora à Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego no final de 2025.

A trajetória de Lorrayne Mavromatis

Com 33 anos e formação em fotografia, a influenciadora construiu carreira nos Estados Unidos e soma milhões de seguidores no YouTube e no Instagram. Antes de ingressar na Beast Industries, ela já possuía uma audiência consolidada compartilhando conteúdos de viagens e relatos sobre a vida no exterior. Seu crescimento ganhou impulso em 2017, quando documentou a experiência de sobreviver ao Furacão Irma, no Caribe. O conteúdo viralizou e ajudou a consolidar sua presença online.

O processo judicial tramita atualmente no Distrito Leste da Carolina do Norte. A ação oficial surge após uma denúncia apresentada pela brasileira à Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego em novembro de 2025. 

O TEMPO tenta contato com a defesa do youtuber e com a MrBeast Production. O espaço segue aberto.

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