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Empresário alerta para Jornada 5×2: "Nem tudo é festa!"

Em 12 de Maio de 2026 às 18:00

empresário Nuno Vasconcellos:

"Por mais que, daqui por diante, apareçam políticos interessados em comemorar a redução da jornada de trabalho, que atualmente prevê seis dias de labuta por um de descanso, e queiram tirar proveito da aprovação dessa medida, como se tivessem apoiado a proposta desde o primeiríssimo momento, ninguém conseguirá tirar essa bandeira das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A vitória é dele e de sua insistência em transformar esse tema numa das principais medidas dessa reta final de mandato.

Embora a tramitação da matéria ainda não tenha passado pela Câmara e ainda precise, na sequência, ser submetida ao crivo do Senado para entrar em vigor, sua aprovação já pode ser dada como favas contadas. Pode ser que a vitória não seja suficiente para compensar de forma imediata os danos colaterais que as derrotas da semana retrasada causaram à popularidade do presidente.

Só para lembrar, as derrotas se referem à rejeição do Advogado Geral da União Jorge Messias para uma vaga no STF e a derrubada dos vetos do presidente ao projeto que reduz a pena dos condenados pelas manifestações do 8 de janeiro de 2023. Mas, pelo menos, servirá para mostrar que Lula não desistiu da corrida eleitoral e continua firme na campanha pela reeleição.

É isso aí: a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas e, mais tarde, 36 horas, sem qualquer redução de salário tem sido um tema frequente do debate político nos últimos dias — e nem mesmo a visita de Lula a Washington, para uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira passada, reduziu o interesse que o tema tem despertando entre os políticos.

O projeto que sacramentará a matéria, como se sabe, tramita em regime de 'urgência constitucional' no Congresso. Em abril, a matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e, depois, pela Comissão Especial convocada para tratar do assunto. Desde a semana passada, o tema vem sendo discutido em 'audiências públicas' que mais parecem palanques destinados à colheita de frutos eleitorais do que uma tentativa sincera de perfeiçoar o texto que irá a plenário.

'O governo acha plenamente sustentável reduzir a jornada para 40 horas semanais imediatamente, sem redução de salário e com duas folgas na semana. Esse é o grito do trabalhador e da trabalhadora', declarou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que fala em nome de Lula nas audiências. Na quarta-feira, por exemplo, a caravana destinada a discutir o assunto fez escala em João Pessoa, Paraíba — e o encontro terminou sem que um único subsídio fosse acrescentado ao texto. Tudo o que se ouviu ali foi a reafirmação do apoio e aplausos ao governo que levou a medida adiante.

A Paraíba, como se sabe, é reduto eleitoral do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta,— que, obviamente fez questão de aparecer com destaque nas fotografias da Audiência Pública. O local do encontro, por sinal, foi uma exigência de Motta. Além da necessidade de projetar o próprio nome para renovar seu mandato na Câmara, Motta se esforça para garantir para seu pai, ex-prefeito da cidade de Patos, Nabor Wanderley, uma das vagas na disputa pelo Senado nas eleições de outubro na chapa apoiada por Lula.

A tentativa de se apoiar na popularidade inquestionável de Lula nos estados nordestinos ficou evidente na insistência de Motta em sediar o evento em seu reduto eleitoral. As próximas audiências já estão programadas. Elas estão previstas para acontecer em Minas Gerais, no dia 15, em São Paulo, no dia 21, no Rio Grande do Sul, ainda sem data marcada e em encontros com Confederações de Trabalhadores, Centrais Sindicais e outros interessados, na Câmara dos Deputados.

Para o governo, como se sabe, o assunto é tratado como questão de honra. A redução da jornada é vista como uma oportunidade de turbinar a popularidade de Lula que, se não sofreu a queda acentuada que se previa em consequência das derrotas recentes, há muito tempo não consegue embicar para cima e garantir a tranquilidade que os apoiadores do presidente esperavam ter na corrida pela reeleição..."

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