Laila Kamyle, de 18 anos, faleceu em Maceió após complicações de uma cesariana, levantando preocupações sobre a qualidade do atendimento médico recebido durante e após o parto.
A jovem apresentou infecção grave e hemorragia, tendo sido atendida em várias unidades de saúde antes de sua internação na UTI, onde a família alega que houve falhas no atendimento.
A Secretaria de Saúde de Alagoas negou as acusações de negligência e afirmou que Laila recebeu a assistência necessária, enquanto a família solicita uma investigação detalhada sobre o caso.
Uma jovem identificada como Laila Kamyle, de 18 anos, morreu no último sábado, 20, após complicações decorrentes de uma cesariana realizada em um hospital público, no bairro do Poço, em Maceió.
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De acordo com o relato da família, Laila teria desenvolvido uma infecção grave durante o parto, sendo submetida a uma cirurgia para retirada do útero e, posteriormente, internada em uma unidade de terapia intensiva (UTI).
Em entrevista à reportagem da TV Pajuçara/RECORD, familiares da jovem relatam que ela deu entrada três vezes em unidades de saúde antes do parto e afirmam que houve falhas na assistência após o nascimento do bebê, identificado como Ravi.
No boletim de ocorrência registrado pela família em uma delegacia da capital, consta que Laila teria apresentado hemorragia e que o atendimento teria ocorrido na própria enfermaria, e não em um centro cirúrgico, com exposição a outros pacientes e acompanhantes.
A família também diz possuir imagens do procedimento e questiona a condução do caso. A tia da jovem, Kátia, afirma que a exposição da paciente e as condições do atendimento teriam agravado o quadro da jovem.
“Minha sobrinha ficou totalmente exposta e, mesmo sem ser da área da saúde, eu sabia que aquilo não poderia trazer boas consequências. Infelizmente, o pior aconteceu. Ela desenvolveu uma infecção no útero, que se agravou e se espalhou pelo organismo”, disse Kátia.
Diante do caso, a família pede investigação rigorosa da assistência prestada durante a internação, apontando possível falha no atendimento médico-hospitalar.
Em nota (veja abaixo), a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas negou as denúncias e afirmou que a jovem recebeu toda a assistência necessária durante o atendimento.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Atendimento a paciente L.K.S.S. no Hospital da Mulher de Alagoas
A direção do Hospital da Mulher de Alagoas, em Maceió, esclarece que não procede a denúncia de negligência no atendimento prestado à paciente L.K.A.S. A usuária chegou à unidade hospitalar no dia 11 de junho para avaliação obstétrica, quando seguiu para internação e, no mesmo dia, foi submetida ao parto cesariana.
Após o parto, a paciente evoluiu com quadro de hemorragia, prontamente identificado pela equipe multidisciplinar. L.K.A.S. foi tratada de acordo com os protocolos da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), tendo apresentado evolução clínica satisfatória e, dois dias depois, recebeu alta médica, tendo ficado na unidade até o dia 15 deste mês, para acompanhar o bebê, que nasceu com diagnosticado de citomegalovírus, causador da herpes, o que o levou a permanecer internado para tratamento.
Conforme o prontuário médico, dias após a alta hospitalar, a paciente procurou atendimento em uma unidade de saúde do município de residência, alegando queixa de constipação intestinal, sendo medicada e liberada. Posteriormente, retornou à mesma unidade já apresentando sinais de gravidade, com taquicardia e hipotensão. Diante do quadro clínico apresentado por L.K.A.S., a equipe da unidade de saúde municipal solicitou sua transferência à Central Estadual de Regulação.
L.K.A.S foi prontamente encaminhada para o Hospital da Mulher de Alagoas, onde deu entrada apresentando quadro de choque séptico, tendo sido internada imediatamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após ser estabilizada, L.K.A.S. foi avaliada pelo Serviço de Obstetrícia, que indicou intervenção cirúrgica.
O procedimento foi realizado ainda no mesmo dia, e a paciente foi encaminhada à UTI. Durante o período de recuperação, ela apresentou agravamento progressivo do quadro clínico, necessitando de drogas vasoativas. Apesar de todos os esforços das equipes assistenciais, L.K.A.S. evoluiu para óbito quatro dias após a intervenção cirúrgica.
A Direção do Hospital da Mulher de Alagoas se solidariza com a família e informa que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários. Ressalta, inclusive, que o prontuário médico é um direito da família e pode ser expedido, em um prazo de até 30 dias, em mídia externa. Para isso, no entanto, a solicitação deve ser feita oficialmente, na recepção da unidade hospitalar, por um parente de primeiro grau, que deve apresentar a sua documentação original, bem como, a documentação original da paciente.
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