Justiça de Santa Catarina arquiva caso do cão Orelha após pedido do MP

Apuração do MP revelou que, ao contrário da cronologia estabelecida inicialmente, os adolescentes tidos como suspeitos de agredir o cão não estiveram junto do animal na praia

Publicado em 15/05/2026, às 17h37
Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

Por Extra Online

A Justiça de Santa Catarina arquivou o caso do cão Orelha após o Ministério Público concluir que não havia evidências de agressão por adolescentes, determinando que a morte do animal foi causada por uma doença preexistente.

As investigações mostraram que os adolescentes não estavam presentes na praia durante o incidente, com a cronologia inicial sendo comprometida por erros nas gravações de videomonitoramento.

Laudos periciais descartaram a hipótese de maus-tratos, revelando que Orelha sofria de osteomielite, uma infecção óssea crônica, sem sinais de traumatismo recente compatível com agressões.

Resumo gerado por IA

A Justiça de Santa Catarina acatou nesta quinta-feira o pedido do Ministério Público estadual e arquivou o caso do cão Orelha. Na última sexta-feira, o MP havia feito a solicitação e apontado que não existiam evidências de que o animal teria sido agredido por adolescentes na orla da Praia Brava, como apontavam suspeitas iniciais. O MP concluiu que o cão morreu em decorrência de grave doença preexistente.

A apuração do MP revelou que, ao contrário da cronologia estabelecida inicialmente, os adolescentes tidos como suspeitos de agredir o cão não estiveram junto do animal na praia.

A cronologia havia sido constituída pela análise de imagens do sistema público de videomonitoramento e de câmeras de segurança privadas. As gravações feitas pelo sistema do condomínio onde o adolescente estava, no entanto, estavam adiantadas em 30 minutos. "Essa diferença de horário é nitidamente perceptível pelas condições de luminosidade solar", diz a nota divulgada pelo Ministério Público.

As investigações não encontraram registros da presença do animal na orla da Praia Brava, o que já havia sido identificado em depoimentos de testemunhas obtidos pela polícia. O MP concluiu que, no momento em que o adolescente agressor estava no local, o cão Orelha se encontrava a 600 metros de distância.

"Não se sustenta a tese de que ambos tenham compartilhado o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como afirmado nos relatórios policiais", diz a nota. Ainda de acordo com o MP, o cão Orelha ainda apresentava "plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal" uma hora após a suposta agressão.

Infecção grave e crônica

Os laudos periciais também contribuíram para as autoridades descartarem a hipótese de maus-tratos. Na avaliação do perito veterinário, que analisou o cadáver do animal após a exumação, não há indicativos de traumatismo recente compatível com maus-tratos. Nenhuma fratura ou lesão compatível com a ação humana foi encontrada.

O veterinário, no entanto, descobriu que o cão Orelha sofria de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea grave e crônica.

"As imagens do crânio anexadas aos autos demonstram uma lesão profunda e antiga, com perda de pelos, descamação e inflamação compatíveis com infecção de evolução prolongada. A localização da ferida, abaixo do olho esquerdo, é compatível com o edema observado pelo médico veterinário que atendeu o animal", disse o MP.

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