Pesquisadores da Universidade de Manchester estão explorando a possibilidade de detectar câncer de mama em mulheres que amamentam por meio da análise do DNA tumoral circulante no leite materno, uma abordagem que pode ser mais eficaz do que os métodos tradicionais.
O estudo se concentra em mulheres grávidas ou no pós-parto, que frequentemente enfrentam dificuldades com exames convencionais, e busca criar um Biobanco de Biofluidos Mamários com amostras de leite para futuras pesquisas.
Caso o método se prove eficaz, ele poderá oferecer uma alternativa não invasiva para o rastreamento do câncer de mama, proporcionando maior segurança para mulheres de alto risco que desejam amamentar sem interromper o processo para exames médicos.
Uma descoberta promissora pode mudar a forma como o câncer de mama é detectado em mulheres que amamentam. Pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, estão investigando se o DNA tumoral circulante presente no leite materno consegue identificar a doença antes dos métodos convencionais — como exames de sangue ou tomografias. O avanço foi divulgado pelo portal Mirror.
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A iniciativa é especialmente relevante para um grupo que costuma passar por baixo do radar dos rastreamentos tradicionais: mulheres grávidas ou em período pós-parto, para quem os exames de imagem da mama são frequentemente pouco confiáveis. "Acreditamos que o leite materno pode fornecer uma janela única e não invasiva para o que está acontecendo dentro da mama", explicou a Dra. Niki Flaum, oncologista consultora no Christie NHS Foundation Trust e líder do estudo. "Sabemos surpreendentemente pouco sobre as alterações genéticas no leite materno, já que esse fluido biológico tem sido notavelmente pouco pesquisado até agora."
O que os cientistas encontraram
A equipe identificou minúsculos fragmentos de material genético liberados por células em algumas amostras de leite materno doadas para o estudo. "A estrutura do DNA é única no leite materno e agora entendemos como esse DNA se parece, o que representa um grande avanço", afirmou o Dr. Florent Mouliere, que lidera a análise das amostras.
O objetivo, por ora, não é diagnóstico — mas de mapeamento. Os pesquisadores querem criar o Biobanco de Biofluidos Mamários de Manchester, com mais de 200 amostras, para embasar pesquisas futuras. Num primeiro momento, estão sendo recrutadas 40 mulheres que produzem leite: 25 com risco populacional geral e 15 de alto risco, como portadoras de mutação no gene BRCA.
Por que isso importa para quem amamenta
Embora a amamentação reduza o risco de câncer de mama a longo prazo, o período da gravidez e do pós-parto eleva temporariamente esse risco. Para mulheres com predisposição genética, como as portadoras do gene BRCA defeituoso, a probabilidade pode chegar a 1 em 50 gestações.
O câncer de mama relacionado à gravidez afeta cerca de uma em cada 3.000 gestações no Reino Unido — e o diagnóstico é particularmente difícil justamente quando a mulher está amamentando. "Há uma necessidade urgente de encontrar maneiras melhores e mais confiáveis de detectar o câncer de mama em mulheres durante e após a gravidez", reforçou a Dra. Flaum.
Se o método se mostrar eficaz, ele também poderia trazer outro benefício: dar tranquilidade para mulheres de alto risco que desejam amamentar, hoje frequentemente orientadas a interromper a amamentação precocemente para retomar exames de ressonância magnética.
"Estou fazendo isso por ela e pelas minhas filhas"
Uma das primeiras mães a participar do estudo foi Hannah Brennan, de 31 anos, parteira e doutoranda na Universidade de Manchester. Mãe de três filhos, ela se inscreveu assim que soube do recrutamento. O motivo é pessoal: sua avó paterna faleceu aos 51 anos de câncer de mama.
"Minha avó paterna faleceu aos 51 anos de câncer de mama e, infelizmente, nunca a conheci. No entanto, recebi o nome em homenagem a ela e me dizem que me pareço com ela, então estou fazendo isso por ela e também pelas minhas duas filhas", contou Hannah.
A participação foi simples: uma amostra de sangue, uma doação de leite materno e respostas a algumas perguntas. "Se minha pequena contribuição puder beneficiar outras mães no futuro, ficarei feliz em poder fazer a diferença."
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