Maceió

Mãe de motorista diz que filho foi morto de forma covarde e cobra justiça: "Não pôde nem se defender"

Eberth Lins e Paulo Victor Malta | 22/10/21 - 10h57 - Atualizado em 22/10/21 - 11h45
Fabio tinha 26 anos e prestava serviço para a Prefeitura de Maceió | Arquivo Pessoal

Muito emocionada e cobrando por justiça, a mãe do motorista Fábio Jhonata da Silva, que não resistiu aos ferimentos causados por arma de fogo e morreu nessa quinta-feira, 21, no Hospital Geral do Estado, em Maceió, afirmou nesta sexta-feira, 22, esperar que as autoridades cumpram o seu papel na investigação do caso. 

Em entrevista à Rádio Pajuçara FM Maceió, dona Rosângela alegou que o filho, que tinha 26 anos, foi morto de maneira covarde em uma discussão banal e falou sobre o suspeito de atirar no filho. "Ele pode colocar 10, 20 advogados, mas meu único juiz, meu único advogado é Jesus. Que a sociedade e a Justiça dos homens façam a sua parte, porque eu já entreguei à Justiça de Deus. Do mesmo jeito que estou sentindo essa dor, não gostaria que ninguém passasse por isso. É muito doloroso perder um filho aos 26 anos, com tantos sonhos e projetos, ser interrompido por uma discussão banal, que tirou a vida do meu filho", disse, emocionada.

Fábio prestava serviço para a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, e foi baleado no tórax e no abdômen por um policial militar da reserva, que foi preso em flagrante pela guarnição do 1º Batalhão. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra o motorista sentado em uma calçada, após ter sido baleado, e sendo socorrido por populares.

"Já pensou se todos fizessem o que esse rapaz fez? Uma coisa tão banal, uma discussão, puxar uma arma e atirar. Acho que não existe essa razão, esse motivo, ainda mais pelas costas, uma covardia muito grande que fizeram com ele, não pôde nem se defender. Meu filho era uma pessoa muito tranquila, muito presente, muito amoroso, sempre fazendo as coisas pela família". 

Dona Rosângela chorou muito durante a entrevista e fez questão de defender o filho de afirmações feitas pela defesa do policial, que alegou ter sofrido ofensas racistas. "Isso me doeu muito, falar que meu filho era racista. Meu filho nunca foi racista. Minha mãe era da cor dele, tenho família negra, meu filho nunca foi racista. Essa calúnia me doeu bastante. Não precisa fazer essas acusações mentirosas. Que todos que estejam vendo, não precisam inventar mentiras, meu filho nunca foi racista com ninguém. Ele foi criado aqui, todos gostavam dele, pessoa muito extrovertida. Amava a avó dele, os tios", disse a mãe, que não conseguiu terminar a fala e voltou a se emocionar.  O velório de Fábio Jhonata da Silva aconteceu na manhã desta sexta-feira, 22, na casa da família, no bairro de Rio Novo. Fabio era casado e não tinha filhos. 

Advogado de policial deixa defesa - O TNH1 entrou em contato com a então defesa do sargento, suspeito de ter atirado, mas foi informado que o advogado Izídio Mendes Netto deixou a defesa do militar no início da tarde dessa quinta-feira, 21, não mais querendo se manifestar sobre o caso. "Estive com o caso até ontem ao meio dia, depois disso a família dele ficou de procurar um novo defensor", disse. O espaço do TNH1 segue aberto para respostas da nova defesa.

Investigação - A reportagem apurou com a Polícia Civil de Alagoas que o militar segue preso e inicialmente foi indiciado por lesão corporal grave, mas que agora com a morte de Fábio Jhonata da Silva a tipificação do crime será mudada. Ele teve o habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça na quarta-feira, 20.