Mudanças no perfil das famílias impulsiona novos formatos de moradia e desafiam o planejamento das cidades, afirma especialista

Dados do Censo 2022 mostram que casais com filhos deixaram de ser maioria no Brasil. Especialista explica como essa transformação já influencia o mercado imobiliário e a forma de planejar os centros urbanos

Publicado em 23/07/2026, às 11h59
consultor imobiliário e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga - Foto: Assessoria
consultor imobiliário e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga - Foto: Assessoria

Por Assessoria

A forma de morar dos brasileiros está mudando e essas transformações já influenciam diretamente o mercado imobiliário e o desenvolvimento das cidades. Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, pela primeira vez, menos da metade das famílias brasileiras é formada por casais com filhos. Em 2022, esse grupo representava 42% das famílias, percentual que era de 56,4% em 2000. No mesmo período, os casais sem filhos passaram de 13% para 24,1%, enquanto o número de domicílios ocupados por apenas uma pessoa triplicou, passando de 4,1 milhões para 13,6 milhões. Hoje, quase um em cada cinco domicílios brasileiros é unipessoal. Esse novo cenário tem alterado o perfil da demanda por moradia e exigido novas estratégias do setor imobiliário e do planejamento urbano.

As mudanças ocorrem em um momento de forte valorização do mercado imobiliário em diversas cidades brasileiras. Em junho de 2026, o Índice FipeZAP apontou que Maceió passou a registrar o metro quadrado residencial mais caro do Nordeste. O preço médio dos imóveis anunciados para venda na capital alcançou R$ 9.966 por metro quadrado, superando a média nacional, de R$ 9.853/m². O levantamento evidencia um mercado aquecido e cada vez mais competitivo, impulsionado por diferentes perfis de compradores e pelas novas demandas de moradia.

Para o consultor imobiliário e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, as mudanças demográficas estão entre os fatores que ajudam a explicar a evolução do mercado imobiliário e a diversificação dos empreendimentos lançados nos últimos anos.

"Hoje o mercado atende perfis muito diferentes dos que predominavam há duas décadas. Cresceu o número de pessoas que moram sozinhas, de casais sem filhos, de famílias menores e também de investidores. Isso faz com que os empreendimentos precisem oferecer soluções mais funcionais, com plantas inteligentes, boa localização e infraestrutura que facilite a rotina dos moradores", afirma.

Bem-estar ganha protagonismo na escolha do imóvel

A busca por qualidade de vida também impulsiona uma tendência que ganha força no mercado imobiliário brasileiro. Os empreendimentos com conceito wellness são planejados para promover saúde, conforto e bem-estar por meio da arquitetura, dos espaços e da infraestrutura. Mais do que oferecer áreas de lazer, esses projetos incorporam atributos como contato com a natureza, iluminação e ventilação naturais, espaços para atividade física, conforto acústico, áreas de convivência, caminhabilidade e proximidade de serviços essenciais. A proposta acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a enxergar o imóvel não apenas como patrimônio, mas como um espaço capaz de favorecer uma rotina mais saudável, equilibrada e prática. Nesse cenário, o conceito wellness deixa de ser um diferencial e passa a influenciar cada vez mais a decisão de compra.

Segundo o especialista, o conceito de qualidade de vida passou a ter um peso cada vez maior na decisão de compra. Mais do que a metragem do imóvel, fatores como mobilidade, proximidade de serviços, acesso ao comércio, segurança e facilidade de deslocamento passaram a influenciar diretamente a escolha dos consumidores. "As pessoas buscam otimizar o tempo e reduzir deslocamentos. Um imóvel bem localizado, próximo ao trabalho, escolas, supermercados, academias e serviços, muitas vezes entrega mais qualidade de vida do que uma unidade maior, porém distante de tudo. Essa mudança de comportamento influencia diretamente os projetos que chegam ao mercado", explica Lauro Braga.

O especialista destaca que essa transformação também amplia os desafios para o planejamento urbano. Com famílias menores e um número crescente de pessoas vivendo sozinhas, as cidades precisam acompanhar esse novo padrão de ocupação, investindo em infraestrutura, mobilidade, transporte público, equipamentos urbanos e serviços compatíveis com a nova dinâmica da população.

"O mercado imobiliário acompanha as mudanças da sociedade, mas o desenvolvimento das cidades também precisa evoluir. Não basta construir novos empreendimentos. É necessário planejar bairros completos, com infraestrutura, acessibilidade, áreas de convivência e serviços que atendam às necessidades dessa população. O crescimento urbano precisa acontecer de forma integrada para garantir qualidade de vida e sustentabilidade no longo prazo", conclui Lauro Braga.

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