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Mulher de 77 anos que assinou termo rejeitando vacina morre de Covid no RS

Folhapress | 28/05/21 - 18h54
Agência Brasil

Uma mulher de 77 anos, que assinou um termo de recusa para a vacina contra a Covid-19, morreu em decorrência da doença, no último domingo (23), em Esperança do Sul, na região noroeste do Rio Grande do Sul.

O caso foi divulgado em uma publicação da prefeitura no Facebook, preservando dados pessoais da paciente. A prefeitura diz que, como a vacina é opcional, o termo é assinado por todas as pessoas que decidem não tomar o imunizante.

"Sabe-se que hoje as vacinas existentes não protegem 100% a pessoa imunizada de se contaminar, porém previnem que a doença evolua para os casos mais graves, que exigem internações e podem levar ao óbito", diz a publicação.

De acordo com a prefeitura, menos de 50 pessoas assinaram termos de recusa da vacina no município, que tem 2.885 habitantes, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasile iro de Geografia e Estatística).

O documento diz que a pessoa se recusa a receber a vacina recomendada pelo Ministério da Saúde e que se responsabiliza por quaisquer eventos decorrentes dessa ação.

"Nós fizemos buscas das pessoas com a idade ou com comorbidades nas residências para que possam se vacinar. O termo nos ajuda no controle e nos assegura também de, futuramente, a pessoa dizer que não foi comunicada da vacina na sua idade ou no seu grupo", explica o secretário municipal de Saúde, Ademir Villers da Cruz.

A Secretaria Estadual de Saúde diz não existe uma orientação do governo para o preenchimento de termos de recusa e que a decisão sobre o registro cabe a cada município. "Alguns preferem ter o documento como segurança de que a dose foi oferecida para aquela pessoa e houve a recusa", disse a pasta em nota.

Outros municípios da região também adotaram a medida. Em Tiradentes do Sul, com 5.616 habitantes estimados pelo IBGE, o secretário de Saúde, Maurício Beier, diz que são poucas as pessoas que têm recusado o imunizante.

Assim como no município vizinho, caso a pessoa que assinou o termo mude de ideia depois, ela pode ser vacinada.

"A pessoa pode decidir se quer fazer ou não, se está em sã consciência, ela tem essa alternativa, por isso, a gente fez esse termo. Poucas pessoas têm recusado", diz ele.

Das 5,2 milhões de pessoas estimadas como parte grupo prioritário no RS, 58,5% receberam a primeira dose até esta sexta e 27,9%, a segunda. O estado aplicou 80% das doses distribuídas.

O estudo epidemiológico conduzido pelo governo junto à UFPel (Universidade Federal de Pelotas) indicou no fim de abril, um ano depois do início da pandemia, que 1 em cada 5,5 gaúchos tem anticorpos para o coronavírus, cerca de 2 milhões dos 11,3 milhões de habitantes.

O governo gaúcho diz que não é possível afirmar as razões pelas quais cerca de 40% do grupo prioritário não foi imunizado, já que cada município e região do estado têm suas especificidades. A recusa da vacina pode estar entre elas, junto a atraso de registros, grupos que ainda não começaram a imunização em suas cidades ou armazenamento para segunda dose.

"O que eu penso, não estou falando por pacientes, muita informação desencontrada por formadores de opinião, como alguns políticos, não temos um alinhamento nacional, aí as comunidades mais distantes ou carentes de informação acabam tirando conclusão do que escutam nas mídias de algumas lideranças", avalia o secretário de Esperança do Sul.

No site da prefeitura, uma publicação do dia 30 de abril lembrava o aniversário de um ano desde o primeiro caso registrado no município. Nesta semana, porém, um mês depois, já são 29 casos ativos, segundo boletim divulgado na quinta-feira, e um total de nove mortes.

O Rio Grande do Sul vive tendência de crescimento de casos confirmados e internações devido à Covid-19. Segundo o painel do estado, com ocupação de leitos de UTIs SUS em 82,7%, nesta sexta-feira, mais de 18 mil casos estão em acompanhamento.

Uma publicação na manhã desta sexta no Facebook da prefeitura de Esperança do Sul alerta a população sobre a situação e diz que as consultas no posto de saúde são apenas para casos suspeitos de infecção pelo coronavírus.

"Esta medida se faz necessária devido ao grande número de pessoas contaminadas ou com suspeita da doença", diz o texto.