Nego Di simulou contato com ganhadora inexistente de Porsche; entenda

Publicado em 25/06/2026, às 18h29
Foto: Reprodução/RECORD
Foto: Reprodução/RECORD

Por CNN Brasil

O humorista Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, foi condenado a 14 anos e 6 meses de prisão por estelionato, promoção de loteria e lavagem de dinheiro, após fraudar rifas e enganar mais de 9 mil pessoas.

Entre os crimes, destaca-se a simulação de um sorteio de um veículo de luxo e a utilização de um comprovante falso de doação de R$ 1 milhão durante enchentes no Rio Grande do Sul, visando autopromoção.

Além da pena de reclusão, Nego Di também foi multado e interditado de exercer cargos públicos por quase 19 anos, enquanto sua defesa ainda não se manifestou sobre a condenação.

Resumo gerado por IA

O humorista e influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como "Nego Di" foi condenado, na última terça-feira (23), a uma pena de 14 anos e 6 meses de prisão por estelionato, promoção de loteria e lavagem de dinheiro.

Na sentença, o juiz do TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) destacou diversos atos ilícitos praticados pelo influencer e pela sua esposa, Gabriela Vicente de Souza. Entre as práticas apontadas estão rifas falsas, fraudes e falsificação de documentos que vitimaram mais de 9 mil pessoas.

Em um dos atos citados pelo magistrado está a fraude em um sorteio de uma Porsche Macan, avaliada em R$ 500 mil.

No episódio, Nego Di simulou uma conversa com uma ganhadora fictícia, utilizando o número de sua própria funcionária e intitulando como "Silmara Noeli".

Segundo a decisão, o humorista teria criado a personagem para apresentá-la como vencedora da rifa, com o objetivo de ficar com o prêmio e não entregá-lo aos demais participantes.

"Vamos lá, então. O número vencedor é o nove, meia, nove, dois, sete, oito... Silmara Noeli. Silmara Noeli, estourou, Silmara!! Te permitiu viver a parada", disse o humorista em um vídeo aos seguidores. 

As investigações também revelaram que, antes mesmo de encerrar o sorteio, ele já estava negociando a compra de uma caminhonete de luxo com uma loja. A parte do pagamento do outro veículo seria a entrega da Porsche.

Em interrogatório policial, Nego Di assumiu o crime e informou que cometeu um erro de cálculo com as vendas das rifas, e, por isso, teria simulado a existência da vencedora para evitar prejuízos financeiros próprios.

Ao todo, o humorista promoveu outras 33 rifas eletrônicas sem autorização legal. Ele realizava compras simuladas de bilhetes para si mesmo até garantir o número premiado e, depois, fingia entrar em contato com um vencedor. Segundo testemunhas, essa prática acontecia de forma recorrente. 

Doação falsa de R$ 1 mi durante as enchentes no RS


O outro fato que levou à condenação do humorista foi o uso de documento falso.

Em maio de 2024, durante as enchentes do Rio Grande do Sul, o influenciador gaúcho publicou um comprovante de transferência PIX no valor de R$ 1 mi destinado a uma campanha solidária para as vítimas da enchente. 

No entanto, segundo o magistrado, ele fraudou a nota para se autopromover, afirmando que teria contribuído com as pessoas afetadas pela tragédia. Logo após o caso, ele foi beneficiado com novos seguidores e faturamento de publicidades.

Nego Di confessou que realizou a transferência de um baixo valor especificamente para gerar um comprovante autêntico que pudesse ser editado posteriormente com o montante milionário.

Condenação: entenda quais são os crimes cometidos por ele


O humorista Nego Di foi condenado pelos seguintes crimes:

  • Promoção de loteria (Contravenção Penal): a prática ocorreu de forma continuada (pelo menos 34 vezes) entre novembro de 2022 e maio de 2024.
  • Estelionato: especificamente pela fraude estruturada na rifa do veículo Porsche Macan, que induziu em erro 9.683 vítimas. 
  • Lavagem de dinheiro qualificado: ocultação e dissimulação de valores provenientes das infrações anteriores, utilizando contas de terceiros e empresas.
  • Uso de documento falso: pelo comprovante falso utilizado durante uma tragédia.

A soma das penas resultou em 14 anos e 6 meses de reclusão, a serem cumpridos em regime inicial fechado. Além disso, ele recebeu uma pena de 1 ano e 15 dias de prisão, pela contravenção de loteria, em regime inicial semiaberto.

Ele também foi condenado ao pagamento de 66 dias-multa, com valor unitário fixado em um salário-mínimo por dia, e à interdição do exercício de cargo ou função pública pelo prazo de 18 anos, 8 meses e 16 dia.

CNN Brasil entrou em contato com a defesa e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

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