Pai é preso por planejar a morte do filho para não pagar pensão e confessar crime ao ChatGPT

Publicado em 26/06/2026, às 13h28
Material apreendido com homem preso por planejar morte do filho no Espírito Santo - Reprodução / PCES
Material apreendido com homem preso por planejar morte do filho no Espírito Santo - Reprodução / PCES

Por g1

Um agricultor de 36 anos foi preso em São Gabriel da Palha, Espírito Santo, após planejar o assassinato do próprio filho de 8 anos, utilizando o ChatGPT para registrar suas intenções e estratégias, incluindo a contratação de um pistoleiro.

As investigações revelaram que o homem fez pesquisas sobre venenos e ataques a policiais, e a prisão ocorreu um dia antes da data prevista para o crime, após um alerta da OpenAI ao FBI que foi repassado às autoridades brasileiras.

O caso é considerado inédito no Espírito Santo e apenas o terceiro do tipo no Brasil, com a polícia agora focando na conclusão do inquérito e na análise do celular do suspeito para determinar a extensão dos crimes cometidos.

Resumo gerado por IA

As mensagens trocadas entre um agricultor de 36 anos preso em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, revelam que ele usava o ChatGPT como uma espécie de diário enquanto planejava matar o próprio filho, de 8 anos, para não pagar pensão alimentícia à ex-companheira. A reportagem teve acesso a alguns diálogos do suspeito com a inteligência articial, confira.

Em um dos arquivos, o pai, que não teve a identidade divulgada, relata ao ChatGPT que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar o filho.

Nas mensagens, o suspeito afirmou que o homem recusou o serviço ao descobrir que a vítima seria uma criança.

Segundo a polícia, o agricultor também fez pesquisas sobre venenos, ataques contra policiais e atentados em locais públicos.

Embora tenha admitido ser o autor das pesquisas, o pai negou aos policiais que tivesse intenção de matar o filho.

Em um dos trechos, o investigado escreveu:

"Essa semana pensei em pegar a arma e matar uns dois policiais perto do batalhão".
Em outro momento, afirmou:

"Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer".

Prisão aconteceu um dia antes do plano

Em outras conversas, o agricultor também pesquisou sobre substâncias altamente tóxicas e fez perguntas relacionadas à obtenção de venenos, além de buscar informações sobre seus efeitos no organismo.

De acordo com a investigação, o homem pretendia matar o filho no dia 20 de junho. A prisão ocorreu um dia antes, após um alerta enviado pela OpenAI ao FBI e repassado às autoridades brasileiras.

Reprodução / PCES

3° caso do tipo registrado no Brasil

Em entrevista do Bom Dia ES desta sexta-feira (26), o titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, delegado Breno Andrade, afirmou que os investigadores tiveram acesso à íntegra das conversas.

De acordo com o delegado, esta é a primeira investigação no Espírito Santo iniciada após comunicações feitas por uma plataforma de inteligência artificial às autoridades.

Segundo ele, o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça informou que este é apenas o terceiro caso do tipo registrado no Brasil.

"No Espírito Santo, podemos afirmar que é um caso inédito. Fomos informados que seria apenas o terceiro caso no Brasil em que houve essa comunicação. Aqui, foi considerado o mais grave por causa da constância das pesquisas e do risco de que as ameaças fossem concretizadas", falou Breno Andrade.

Para Andrade, mensagens enviadas pelo própio pai à inteligência artificial são muito graves.

"É lamentável que um pai queira atentar contra a vida de um filho de apenas 8 anos", disse o delegado.

O delegado ressaltou que o inquérito ainda não foi concluído e que a perícia no celular do investigado poderá ampliar os crimes atribuídos a ele.

"A gente estuda a possibilidade dos mais variados crimes, como tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime. Só ao final da investigação, inclusive com a perícia do telefone celular, vamos conseguir consolidar todos os crimes que ele praticou".

Como as mensagens chegaram à polícia

Segundo a Polícia Civil, a OpenAI identificou as conversas e comunicou o FBI. A agência norte-americana encaminhou o material ao Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, que repassou as informações à Polícia Civil do Espírito Santo.

A partir dos dados, os investigadores identificaram o suspeito, confirmaram que ele tinha um filho e pediram à Justiça mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva, cumpridos no dia 19 de junho, um dia antes da data em que, segundo a investigação, o crime seria cometido.

Embora tenha admitido ser o autor das pesquisas, o agricultor negou aos policiais que tivesse intenção de matar o filho.

Para o titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, delegado Breno Andrade, no entanto, as provas técnicas serão determinantes.

"Ele confessou as pesquisas, mas negou a intenção de praticar os atos. O fato de negar para a polícia não faz diferença. O que a delegacia trabalha é a prova técnica, e ela demonstra que ele fez essas pesquisas e tinha essa ideia. Agora vamos comparar esse material com a perícia feita no telefone celular", afirmou.

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