PMs são presos por suspeita de tortura no Paraná; vítima teve braço quebrado

Publicado em 30/06/2026, às 13h34
Divulgação/Gaeco-PR
Divulgação/Gaeco-PR

Por Terra

Dois policiais militares do Paraná foram presos por extorsão, tortura e sequestro de um jovem, que teve o braço quebrado e pagava R$ 3 mil mensais para evitar mais agressões, em um caso que levanta sérias preocupações sobre a conduta policial na região.

As investigações do Gaeco revelaram que os crimes ocorreram em agosto de 2025, quando os policiais agrediram a vítima para obter informações sobre tráfico de drogas, e continuaram a extorqui-la até novembro do mesmo ano.

Após a coleta de provas, a denúncia foi formalizada em junho de 2026, e a juíza responsável tornou os policiais réus no processo; a Polícia Militar do Paraná informou que os agentes estão afastados e reafirmou seu compromisso com a legalidade e ética.

Resumo gerado por IA

Dois policiais militares do Paraná foram presos preventivamente nesta segunda-feira, 29, por suspeita de extorsão, tortura e sequestro de um rapaz, em Pontal do Paraná. Conforme a denúncia no Ministério Público obtida pelo Terra, a vítima teve o braço quebrado e pagava R$ 3 mil por mês para não sofrer mais agressões.

Os mandados de prisão foram cumpridos na operação Operação Hubris, pelo Núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura o caso. Segundo o Gaeco, foram encontradas provas dos crimes cometidos pelos agentes em uma casa de veraneio na cidade e na sede da 5ª Companhia da Polícia Militar em Pontal do Paraná.

A denúncia aponta que a tortura ocorreu na madrugada do dia 19 de agosto de 2025, em uma casa no  bairro Chácara São Pedro. Os policiais Patrick Luiz da Rosa e Rodrigo Ramos Patrício Pinto, no exercício de suas funções, agrediram um rapaz com chutes e golpes de cassetete, tendo quebrado o seu braço. A violência causou “intenso sofrimento físico e mental”, segundo o MP. 

Ainda de acordo com o documento, o crime foi cometido para obter informações do tráfico de drogas na região. Além disso, entre essa data e o dia 4 de novembro de 2025, os agentes extorquiram a vítima em R$ 3 mil por mês, preço cobrado pelo “sossego e a cabeça” dele. O valor poderia ser pago em duas parcelas de R$ 1,5 mil a cada 15 dias. 

Diante das provas levantadas pelo órgão, foi apresentada a denúncia ao Judiciário no dia 15 de junho de 2026. No dia 23, a juíza da Vara Criminal da Auditoria da Justiça Militar da Região Metropolitana de Curitiba, Maria Cristina Franco Chaves, os tornou réus no processo. 

A reportagem procurou a defesa de Patrick Luiz da Rosa, mas não teve retorno até o momento. Já os advogados de Rodrigo Ramos Patrício Pinto não foram localizados. 

Vídeo teria colaborado com a prisão

Segundo a TV RPC, afiliada da Rede Globo, um vídeo compartilhado entre policiais mostra os agentes torturando a vítima com socos e chutes. Segundo a reportagem, o Gaeco descreve que os PMs diziam que o homem "a todo momento urra de dor em meio aos estrondos secos provocados pelas agressões”. 

Outros episódios contra a mesma vítima foram realizados ainda na sede da 5ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar, “na presença de demais militares estaduais e de civis", segundo a investigação. 

O que diz a PM

Em nota ao Terra, a Polícia Militar do Paraná informou que os policiais estão afastados de suas funções. A corporação também reafirmou o “compromisso permanente com a legalidade, a moralidade, a ética e a transparência, destacando que não compactua com qualquer conduta que contrarie os preceitos legais e os valores institucionais”.

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