Polícia indicia diarista sob suspeita de latrocínio por morte de casal de idosos

Publicado em 14/07/2026, às 17h49
Maria Clotilde e Claudio Atala - Reprodução / Facebook
Maria Clotilde e Claudio Atala - Reprodução / Facebook

Por Simone Machado / Folhapress

A diarista Paola Stefany Neto Cirino foi indiciada por latrocínio após a morte do advogado Cláudio Atala Inácio e sua esposa Maria Clotilde, ocorrida em 29 de junho em Belo Horizonte, e está presa preventivamente desde 2 de julho.

As investigações indicam que Paola, que tinha um histórico de roubos, utilizou medicamentos sedativos para incapacitar as vítimas, e a polícia encontrou clonazepam no sangue do casal, além de evidências de violência física.

Além de Paola, quatro homens foram indiciados por receptação de bens do casal, e o caso será encaminhado ao Ministério Público para possível denúncia, enquanto a defesa de Paola se compromete a atuar tecnicamente no processo.

Resumo gerado por IA

A diarista Paola Stefany Neto Cirino, 30, foi indiciada pela Polícia Civil de Minas Gerais sob suspeita de latrocínio (roubo seguido de morte) do advogado Cláudio Atala Inácio, 75, e da esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76.

Paola está presa preventivamente (sem prazo para soltura) desde 2 de julho e é apontada como autora do crime ocorrido em 29 de junho no apartamento do casal, no bairro São Pedro, na região centro-sul de Belo Horizonte.

Por meio de nota, o advogado Bruno Correa Lemos, que representa a diarista, disse que a defesa se manifestará apenas no processo e de "forma técnica".

"A defesa reafirma que continuará atuando de forma técnica, séria, respeitosa e estritamente pautada pelos fatos formalizados nos autos, exercendo o direito constitucional de defesa e acompanhando todas as fases do procedimento com absoluto compromisso com a legalidade e o devido processo legal", disse o defensor.

O indiciamento foi concluído após o encerramento do inquérito policial. O procedimento será encaminhado ao Ministério Público Estadual, responsável por analisar o caso e decidir se oferece denúncia à Justiça.

Se isso acontecer e a Justiça aceitar a acusação, ela vira ré e o caso vai para julgamento
Além de Paola, quatro homens também foram indiciados. Eles vão responder por receptação por terem adquirido bens levados da residência do casal de idosos.

Durante a investigação, eles procuraram voluntariamente a delegacia, acompanhados de advogados, alegando desconhecer a origem ilícita dos itens e os devolveram.

Assim, poderão ter a pena reduzida por arrependimento posterior, conforme previsto no artigo 16 do Código Penal. Os quatro homens não tiveram as identidades divulgadas pela polícia.
Segundo a Polícia Civil, as investigações indicam que o casal foi morto durante um roubo praticado dentro do imóvel onde morava.

Paola foi contratada para fazer um serviço de limpeza no apartamento. "De acordo com os elementos obtidos no decorrer das apurações, a investigada já teria decidido cometer o crime antes de estar no apartamento das vítimas. Segundo apurado, a suspeita tem histórico de praticar roubos utilizando medicamentos que produzem efeitos sedativos para reduzir a capacidade de resistência das vítimas –método também utilizado contra o casal de idosos, além da violência física", disse a polícia, por meio de nota.

Quando a polícia informou ter identificado clonazepam no sangue do casal de idosos, a defesa de Paola afirmou, também em nota, que os argumentos seriam apresentados no momento processual oportuno.

O clonazepam é o princípio ativo do Rivotril e atua no sistema nervoso central. Conforme a bula, é indicado para o tratamento de transtornos de ansiedade e de humor, síndromes psicóticas, crises epilépticas e outras condições. Entre os efeitos do uso abusivo, estão vertigem, prejuízo da cognição, redução do tempo de reação e tontura.

A polícia afirmou ainda que "não foram identificados elementos concretos de participação de outras pessoas no latrocínio do casal".

"O que mais me chamou a atenção é a crueldade com que ela agia. A frieza e covardia do crime", disse à Folha o delegado Gustavo Barletta. "No depoimento ela disse que teve um surto psicótico e não se lembra do que ocorreu, mas não acreditamos nisso", afirmou.

Ainda segundo a investigação, após a repercussão do caso outras pessoas compareceram à delegacia para dizer que também teriam sido vítimas de Paola. Foram contabilizados outros quatro crimes, praticados com o mesmo modo de agir.

"Apesar dessa situação, nenhuma vítima havia registrado boletim de ocorrência e a diarista não tinha passagens policiais", disse o delegado.

O CRIME

As vítimas foram encontradas mortas no apartamento delas no dia 30 de junho. Os corpos apresentavam lesões produzidas por instrumento perfurocortante, possivelmente uma faca, e sinais de defesa. Também foi encontrada uma gaveta violada no quarto do casal, além da ausência de telefones e de diversos bens.

Por não ter arrombamento na porta de entrada e devido ao controle de acesso ao edifício por senha ou liberação de morador, a investigação foi direcionada para a diarista que havia entrado pela primeira vez no local naquela data.

A suspeita foi presa dois dias depois, na cidade de Itabira, região central do estado. Ela estava em um hotel. Levantamentos realizados apontaram que a mulher pretendia fugir para o Rio Grande do Sul, diz a polícia.

Durante a ação, os policiais localizaram com a diarista R$ 18,8 mil, celulares, joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo.

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