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Com cargos e emendas garantidas, seja qual for o eleito para presidente da República, os partidos já não precisam manifestar apoio desde a campanha.
Suas lideranças sabem que o futuro governo vai ter de negociar.
É como explica o jornalista Fabiano Lana:
“Aquela tradição de grandes alianças entre partidos, principalmente do chamado Centrão, em torno de um candidato à Presidência da República não é mais proveitosa no Brasil. Pela razão de que os parlamentares não precisam mais estar numa chapa vencedora para conseguirem o que querem de um governo: cargos e emendas.
Não importa quem seja o vencedor no pleito presidencial este ano, precisará compartilhar ministérios, autarquias e todo tipo de cargos para conseguir governar. Caso não o faça, tome derrotas seguidas no Congresso. Além disso, com emendas obrigatórias e de valor em torno de R$ 50 milhões por parlamentar, mesmo que não esteja no governo, o poder da legislatura agora permite trajetórias independentes tanto na Câmara quanto no Senado. Hoje, um deputado tem mais dinheiro para gastar de maneira livre do que autoridade com posição de ministro (que precisa, muitas vezes, vincular verbas a emendas para tocar projetos).
Essa nova conjuntura explica em parte por que grandes partidos, como a federação União Progressista ou mesmo o Republicanos, desprezaram aliança, por exemplo, com Flávio Bolsonaro. Pesou também, é claro, as revelações e escândalos recentes contra o primogênito de Jair Bolsonaro, assim como denúncias contra próprios dirigentes, em geral envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Os ex-governadores Romeu Zema, de Minas, e Ronaldo Caiado, de Goiás, também devem seguir de chapa única.
Fora isso, compensa também para candidatos ao Congresso, ou mesmo a governador de Estado, não se aliar a qualquer candidato presidencial com alta carga de rejeição, como Lula ou Flávio. Apoiar qualquer um deles é ficar com menos votos potenciais.
Melhor para Lula, que conseguiu unir praticamente toda a esquerda, até porque todas as demais agremiações, somadas, hoje, mal fazem sombra ao hegemônico PT. Entretanto, caso esses partidos vençam, sabem que, na partilha de cargos, não poderão se sentar na janelinha. Os partidos maiores, do Centrão, terão prioridade no botim (após o PT, claro).”
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