A derrota do governo Lula na indicação de Jorge Messias para o STF gerou divisões internas, com alguns membros defendendo retaliações contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enquanto outros sugerem uma postura mais cautelosa.
A votação, que resultou em 42 votos contra Messias, foi impulsionada pela oposição, que contou com o apoio decisivo de Alcolumbre, refletindo um cenário de governo enfraquecido no Senado.
Em resposta à derrota, a oposição deixou claro que a vitória serve como um aviso tanto para o governo quanto para o STF, com ameaças de processos de impeachment caso não haja mudanças nas posturas dos ministros do tribunal.
Depois da derrota histórica na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), uma ala do governo Lula defende retaliação, com a retirada de cargos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Outra, recomenda esperar a poeira baixar e tocar o governo sem depender do Congresso.
No calor do momento, a sensação era de governo nocauteado e sem entender a derrota, que a equipe de Lula não acreditava que pudesse acontecer.
Assessores de Lula dizem que o presidente ainda reflete sobre como reagir. Segundo eles, Lula vinha dizendo que cabia a ele fazer a indicação. E ao Senado aprovar ou rejeitar. E que, por isso, o governo tem de respeitar a decisão dos senadores.
Se, do ponto de vista institucional essa é a realidade, do ponto de vista político a avaliação é outra, de um governo enfraquecido no Senado.
Clima nos corredores
Logo depois da sessão do Senado que derrotou o governo, no qual um animado Davi Alcolumbre (União-AP) conduziu os trabalhos e até cravou o resultado para o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), antes de o painel ser liberado, os governistas circulavam cabisbaixos pelo plenário.
Enquanto a oposição comemorava de forma ruidosa a vitória, que só foi possível com a ajuda de Alcolumbre.
Os senadores da oposição admitiam que o presidente do Senado foi fundamental na derrota da indicação de Jorge Messias. Os oposicionistas normalmente contam com 32 votos no plenário. O placar registrou dez a mais.
Deste grupo, que completou os 42 votos contra Messias, boa parte votou contra Lula por influência do presidente do Senado.
Ainda no plenário, a oposição fazia questão de deixar claro que a derrota histórica era um recado não apenas para Lula, mas também para o STF.
"Essa vitória nossa é um recado para o governo, mas também para o Supremo. Alguns ministros estão extrapolando e receberam o recado claro. Em breve, se não mudarem de posição, processos de impeachment serão abertos aqui nesta casa", afirma o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ).
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, ia no mesmo tom.
"Nossa vitória representa o fim do governo Lula 3 aqui no Congresso, mas também é um recado para o STF", afirmou.
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