Residência nos EUA e internação voluntária: veja o que alega defesa de tia de Claudia Pollyane

Publicado em 15/04/2026, às 16h27
Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

por João Arthur Sampaio

Publicado em 15/04/2026, às 16h27

A Justiça de Alagoas tornou réus a tia de Cláudia Pollyane e os donos de uma clínica de reabilitação pela morte da esteticista, ocorrida em agosto de 2025, após a aceitação parcial da denúncia do Ministério Público. A juíza negou a prisão preventiva, mas autorizou busca e apreensão nos endereços dos acusados.

A defesa da tia argumenta que a internação de Cláudia foi voluntária e que ela não tinha controle sobre a clínica, que operava sob condições questionáveis. A denúncia aponta que a vítima sofreu violência contínua, incluindo espancamentos e uso excessivo de medicamentos, resultando em sua morte.

Além da busca e apreensão, a Justiça determinou a quebra de sigilo das comunicações dos envolvidos para coletar provas adicionais. Os réus respondem por homicídio qualificado e cárcere privado, enquanto a defesa contesta a investigação, alegando que existem provas que poderiam inocentá-los.

Resumo gerado por IA

Mais de uma semana após a Justiça tornar ré a tia de Cláudia Pollyane pela morte da esteticista, a defesa dela decidiu se manifestar sobre a denúncia, ofertada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) e aceita parcialmente pelo Poder Judiciário. A juíza Fabíola Melo Feijão negou o pedido de prisão preventiva para ela e os donos da clínica, mas decretou busca e apreensão nos endereços residenciais e na comunidade terapêutica.

Em um vídeo obtido pela reportagem nesta quarta-feira (15), o advogado que representa a mulher, Álvaro Costa, classificou as acusações como “pesadas”, uma vez que envolvem maus-tratos, violência e morte, e disse que o MPAL teria sido “induzido ao erro” por “caluniadores e ‘lacradores’ de internet que ofenderam a honra da cliente”, e que serão “devidamente responsabilizados pelas ofensas e denúncias mentirosas”.

Segundo a defesa, na própria denúncia do órgão ministerial é citado que a internação de Claudia Pollyane foi voluntária e que a tia dela apenas acatou o pedido para lidar com os custos do tratamento. O advogado fala ainda que serão juntadas provas que “mostram que ela não participou nem de longe de crime algum”.

A tia sequer estava no Brasil, já que reside nos Estados Unidos e acompanhava tudo à distância buscando sempre e recebendo informações da clínica por meio de WhatsApp. Ou seja, não tinha controle, não tinha gestão ou poder para manter quem quer que fosse internado. E mais, vamos demonstrar que ela foi tão enganada sobre as condições da clínica e da vítima como foram outros familiares de internos.

Justiça aceita denúncia do MPAL

A Justiça de Alagoas aceitou parcialmente a denúncia do MPAL e tornou réus os donos da clínica de reabilitação e a tia de Cláudia Pollyane pela morte da esteticista, ocorrida em Marechal Deodoro no dia 9 de agosto de 2025. 

Além da busca e apreensão, a magistrada também determinou a quebra do sigilo de dados das comunicações telefônicas dos aparelhos encontrados durante a busca, assim como o afastamento do Sigilo Telemático dos aplicativos de cada celular, para coleta de todo conteúdo armazenado em nuvem vinculado aos usuários.

Entre os elementos que serão alvo da investigação policial estão computadores e mídias periféricas (pen drives, CDs, etc.); celulares; e os seguintes documentos: receituários médicos, laudos médicos, contratos de prestação de serviços com os pacientes, termos de consentimentos dos pacientes, prontuários psicológicos e médicos entre outros documentos que possam ser considerados pertinentes pela polícia.

Réus respondem por homicídio

Segundo informações divulgadas pela Comissão de Amigos de Cláudia Pollyanne, um dos donos da clínica passou a responder por homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de cárcere privado qualificado, sendo apontado como o principal executor das agressões e responsável direto pela morte. Já a outra dona responde por homicídio qualificado e cárcere privado qualificado, acusada de participar das agressões e permitir e aderir às práticas violentas dentro da clínica.

Por outro lado, a tia da vítima tornou-se ré por cárcere privado qualificado, e é apontada como responsável por manter Cláudia internada contra a própria vontade mesmo após o fim do contrato.

Denúncia do MPAL

De acordo com a denúncia, Cláudia Pollyanne foi submetida a um cenário contínuo de violência, com relatos de espancamentos frequentes, uso de força física e administração excessiva de medicamentos para deixá-la dopada e sem capacidade de reação. Testemunhas ouvidas no inquérito relataram que a vítima era agredida com socos, chutes e golpes de estrangulamento, muitas vezes diante de outros internos.

Ainda conforme a investigação, a esteticista permaneceu por cerca de sete meses em cárcere privado, período em que já não havia respaldo contratual ou autorização legal para sua permanência na clínica. No dia da morte, a vítima teria sido novamente submetida a agressões e não resistiu. Foram constatadas múltiplas lesões pelo corpo, além de sinais compatíveis com asfixia e violência contínua.

O que diz a defesa dos donos da clínica

Em entrevista à TV Pajuçara, a advogada da dupla responsável pela clínica, Aretha Campos, alegou que existiram outros mecanismos que poderiam ter sido investigados pelo Ministério Público “para chegar à verdade real dos fatos”. 

“Existem provas nos autos que indicam que eles são realmente inocentes. O que a defesa contesta são as atitudes do Ministério Público com relação à falta de uso desses mecanismos e fechar os olhos para algumas provas, principalmente vídeos, testemunhos e coisas graves, que poderiam ter sido de melhor forma investigados e não condenar inicialmente o meu cliente e a esposa dele”, argumentou a advogada.

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