Ciência

Vacina nasal contra o Alzheimer deve ser testada nos EUA

Canaltech | 18/11/21 - 15h47
Reprodução

Na busca por curas ou tratamentos que interrompam a progressão do Alzheimer, diferentes estudos investigam possíveis vacinas contra a condição neurodegenerativa. Na Finlândia, um potencial imunizante já começou a ser avaliado em humanos. Agora, cientistas norte-americanos se organizam para iniciar os testes clínicos de uma vacina nasal contra a doença.

Em nota divulgada na terça-feira (16), o Brigham and Women’s Hospital, no estado de Massachusetts, anunciou que está prestes a iniciar um ensaio clínico de Fase 1 para uma nova vacina nasal, destinada a prevenir e retardar a progressão do Alzheimer.

“O lançamento do primeiro teste humano de uma vacina nasal para Alzheimer é um marco notável”, afirmou Howard L. Weiner, o coordenador do futuro estado. Até o momento, não foi divulgada a data oficial para que os primeiros voluntários recebam o imunizante.

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“Nas últimas duas décadas, acumulamos evidências pré-clínicas que sugerem o potencial dessa vacina nasal para a DA [Doença de Alzheimer]. Se os ensaios clínicos em humanos mostrarem que a vacina é segura e eficaz, isso pode representar um tratamento não tóxico para pessoas com Alzheimer, e também pode ser dado no início para ajudar a prevenir Alzheimer em pessoas de risco”, completa Winer sobre as perspectivas do estudo.

Entenda o estudo com o potencial imunizante

Para investigar a segurança e a eficácia da potencial vacina contra o Alzheimer, o ensaio clínico avaliará o efeito de duas doses da fórmula, com uma semana de intervalo, em 16 participantes. Estes voluntários deverão ter, obrigatoriamente, entre 60 e 85 anos. Além disso, devem ter um diagnóstico confirmado para a doença, em estágio sintomático. No entanto, pacientes com outras doenças que possam afetar os resultados serão desconsiderados durante a seleção.

"O objetivo primário do estudo de Fase I será determinar a segurança e tolerabilidade da vacina nasal. A equipe de pesquisa também medirá o efeito do Protollin nasal [substância experimental que ativa o sistema imunológico] na resposta imune dos participantes, incluindo seus efeitos nos glóbulos brancos, examinando marcadores de superfície celular, perfis de genes e ensaios funcionais", explica o hospital, em nota.

Como funciona a vacina nasal contra Alzheimer?

Para desencadear o efeito protetor, a potencial vacina usa o modulador imunológico Protollin. Usado com adjuvante, o Protollin é constituído por proteínas derivadas de bactérias e consegue estimular o sistema imunológico.

Através do imunizante, a ideia é que o Protollin consiga ativar os glóbulos brancos, encontrados nos gânglios linfáticos, fazendo com que eles migrem para o cérebro e eliminem as placas da proteína tóxica beta-amiloide. Essas placas são consideradas uma das possíveis causas da condição neurodegenerativa e do declínio cognitivo desencadeados pela doença.

“Por 20 anos, foram descobertas evidências crescentes de que o sistema imunológico desempenha um papel fundamental na eliminação da beta-amiloide. Esta vacina aproveita um novo braço do sistema imunológico para tratar a DA”, afirma Tanuja Chitnis, professora de neurologia e uma das autoras do estudo.

Vale lembrar que novos estudos que investigam terapias contra o Alzheimer, como este, são cada vez mais necessários. Isso porque os casos da doença devem triplicar até 2050, segundo pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington. Em menos de 30 anos, 152 milhões de pessoas conviverão com a doença no globo.