Uma frase escrita por Anne Frank aos 15 anos continua sendo reproduzida em discussões sobre educação e a influência dos pais na formação dos filhos. O trecho aparece em uma entrada de seu diário de 15 de julho de 1944, quando ela já vivia escondida com a família havia mais de dois anos em Amsterdã.
A formulação varia conforme a edição e a tradução do diário. Em português, uma das versões mais difundidas diz: “Os pais somente podem dar bons conselhos e indicar bons caminhos, mas a formação final do caráter de uma pessoa está em suas próprias mãos”.
Reflexão partiu da própria relação familiar
O trecho não aparece isoladamente como uma regra escrita por Anne para outros pais. Naquela entrada, ela refletia sobre o próprio comportamento, sua relação com a família e a capacidade de avaliar os próprios erros.
Anne recorda uma afirmação de seu pai, Otto Frank, segundo a qual os filhos também seriam responsáveis pela própria formação. A partir daí, desenvolve a ideia de que os pais podem orientar, mas não controlar completamente o caráter que uma pessoa desenvolverá.
O contexto é relevante porque a relação de Anne com os pais, especialmente com a mãe, Edith, aparece diversas vezes no diário. A Casa de Anne Frank registra que mãe e filha tiveram conflitos durante o período no esconderijo. Quando revisou seus próprios textos, Anne chegou a considerar excessivamente duras algumas das críticas que havia escrito.
Texto foi escrito semanas antes da prisão
A entrada de 15 de julho também contém outra das reflexões mais conhecidas do diário, sobre a crença de Anne na bondade das pessoas apesar da guerra. A Casa de Anne Frank identifica essa passagem na versão original do diário e chama atenção para a necessidade de considerar o contexto mais amplo de suas palavras.
Pouco depois, em 4 de agosto de 1944, policiais invadiram o Anexo Secreto e prenderam Anne, seus familiares e os demais judeus que viviam escondidos no local. Ela havia escrito a reflexão sobre caráter apenas 20 dias antes.
Miep Gies e Bep Voskuijl encontraram os cadernos e papéis depois da prisão e os guardaram. Otto Frank, único dos oito moradores do esconderijo que sobreviveu à guerra, recebeu posteriormente os textos da filha.





