Uma estrutura atmosférica com dez lados cerca todo o polo sul de Saturno, medindo aproximadamente 167,8 mil quilômetros de largura.
A descoberta veio de imagens do Telescópio Espacial Hubble e lembra o famoso hexágono que já era conhecido no outro extremo do planeta.
Cada um dos dez lados dessa formação tem cerca de 16,8 mil quilômetros, segundo o levantamento que identificou o fenômeno.
A figura geométrica do norte, por comparação, tem cerca de 32 mil quilômetros de largura, bem menor que a nova formação encontrada no sul.
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Agustín Sánchez-Lavega, cientista planetário da Universidade do País Basco e principal autor do estudo publicado na Science Advances, afirmou ao Space.com que se trata de um fenômeno atmosférico incomum, útil para ampliar o entendimento sobre meteorologia de forma geral.
Segundo ele, a descoberta indica que a formação do norte pode não ser algo único no planeta.
A inclinação do eixo de Saturno deixou a região sul fora do alcance de observadores terrestres entre 2012 e 2023.
Só quando as estações do planeta voltaram a expor essa área é que os cientistas puderam procurar novamente por padrões atmosféricos ali.
As primeiras pistas surgiram em imagens captadas por observatórios na Terra.
Em 2024, Sánchez-Lavega e os astrônomos amadores Trevor Barry e Jean-Paul Oger notaram uma faixa ondulada e discreta na área, e registros feitos em 2025 reforçaram a hipótese de uma geometria de dez lados.
Dados do Hubble depois confirmaram que essa formação já existia em imagens de 2023.
Décadas de buscas por algo parecido com a estrutura conhecida no norte não haviam dado resultado, e a confirmação pegou a equipe de surpresa.
Nem mesmo os registros da missão Cassini, que orbitou Saturno entre 2004 e 2017, haviam captado sinais de uma formação assim no hemisfério sul.
Uma onda que atravessa camadas da atmosfera
Longe de ser apenas uma nuvem com contorno geométrico, o fenômeno funciona como uma onda inserida em uma das correntes de jato do planeta.
As observações mostram que ela se estende por diversas camadas da atmosfera saturniana, e não fica restrita ao topo das nuvens.
A posição da estrutura muda de acordo com o comprimento de onda usado pelo Hubble nas capturas, já que cada faixa espectral revela uma altitude diferente da atmosfera.
Amy Simon, pesquisadora do Goddard Space Flight Center, da NASA, destacou ao Phys.org que o mais intrigante é a possibilidade de a formação ter surgido recentemente, algo nunca antes registrado naquele hemisfério do planeta.
A situação levanta a dúvida sobre por que ela teria aparecido justamente agora.





