Você precisa cortar a utilização de açúcar nas suas bebidas diárias, mas não acha o adoçante doce o suficiente? Saiba que existe um outro produto que promete ser até mais doce do que o próprio açúcar e ainda ajudar no controle da glicose e insulina.
O produto se chama sweelin e foi desenvolvido pela empresa israelense Amai Proteins. Em um ensaio clínico, a substância apresentou uma capacidade de adoçar aproximadamente 3.500 vezes maior que a do açúcar comum, enquanto provocou respostas muito menores de glicose e insulina nos participantes. O trabalho foi publicado na revista científica Food Chemistry e é apontado como o primeiro ensaio clínico realizado com esse tipo de proteína adoçante.
De onde veio a ideia para criar o sweelin?
O desenvolvimento do sweelin começou a partir de uma proteína encontrada em uma fruta da África Ocidental e Central conhecida como serendipity berry, cujo nome científico é Dioscoreophyllum cumminsii.
Essa fruta produz a monellin, uma proteína naturalmente muito doce. Em sua forma encontrada na natureza, ela pode apresentar uma intensidade de doçura entre 1.500 e 2.000 vezes superior à sacarose, que é o principal açúcar utilizado na alimentação.
O desafio para transformar essa característica em um produto comercial estava na produção. Em vez de depender diretamente da fruta para obter a proteína, a Amai Proteins utilizou inteligência artificial para modificar a estrutura da molécula e desenvolver uma versão que pudesse ser fabricada em escala.
A empresa utiliza fermentação de precisão nesse processo. A técnica permite que organismos sejam utilizados como sistemas de produção de determinadas moléculas em ambientes controlados. É um princípio semelhante ao empregado na fabricação industrial de proteínas como a insulina e de diferentes enzimas.
Dessa forma, o sweelin não depende da extração da proteína diretamente da fruta. A produção acontece em laboratório e pode ser ampliada para atender à demanda da indústria alimentícia.
O adoçante funciona de uma maneira diferente do açúcar
A característica que torna o sweelin diferente está na própria natureza da molécula. Proteínas doces conseguem interagir com os receptores responsáveis pela percepção do sabor doce presentes na língua.
O cérebro recebe essa ativação como uma sensação de doçura, mas a molécula não é processada pelo organismo da mesma forma que a sacarose. Isso permite separar o sabor doce da grande quantidade de açúcar normalmente necessária para produzir essa percepção.
O produto final é comercializado em forma de pó branco e pode ser dissolvido em líquidos. Como apresenta uma intensidade muito elevada, a quantidade utilizada é extremamente pequena. De acordo com os dados apresentados pela empresa, menos de 3 miligramas são suficientes para adoçar um copo de chá gelado.
Outra característica é a resistência a temperaturas elevadas, o que amplia as possibilidades de utilização em diferentes receitas. A empresa afirma ainda que o ingrediente consegue substituir até 70% do açúcar em determinadas formulações industriais.
O que aconteceu com a glicose depois do consumo?
Para entender como o sweelin se comportava no organismo, pesquisadores do Centro de Pesquisa Clínica do Tel Aviv Sourasky Medical Center, em Israel, realizaram um estudo controlado com 19 voluntários saudáveis.
Os participantes receberam bebidas em diferentes momentos. Em cada visita, eles consumiram uma preparação adoçada com sweelin, outra com dextrose, que é um tipo de açúcar, e uma terceira com stevia.
As três bebidas foram formuladas para apresentar o mesmo nível de doçura. Isso é importante porque permitiu comparar a resposta do organismo sem que uma bebida fosse simplesmente menos doce que outra.
Depois do consumo, os pesquisadores acompanharam durante duas horas os níveis de glicose, insulina e GLP-1 no sangue. Esse último é um hormônio relacionado à regulação do metabolismo e à sensação de saciedade após as refeições.
O resultado mostrou uma diferença expressiva em relação à bebida com dextrose. A resposta de glicose observada após o consumo de sweelin foi 31 vezes menor, enquanto a resposta de insulina ficou 81 vezes abaixo da registrada com o açúcar. O comportamento foi semelhante ao observado com a stevia.
Por que isso pode interessar a pessoas com alterações metabólicas?
A diferença na resposta glicêmica chama atenção porque o excesso de elevação da glicose depois das refeições está relacionado a problemas metabólicos e cardiovasculares, especialmente quando ocorre de forma frequente.
Por isso, ingredientes que proporcionem sabor doce sem gerar uma resposta semelhante à do açúcar podem ter interesse na formulação de alimentos destinados a pessoas que precisam controlar a ingestão de carboidratos.
Os pesquisadores também analisaram o GLP-1. No caso do sweelin, não foi identificado um aumento relevante desse hormônio durante o período observado.
Esse resultado é importante para a interpretação do estudo, mas não significa que o adoçante seja capaz de tratar diabetes, pré-diabetes ou obesidade. O experimento avaliou uma resposta específica do organismo após o consumo de determinadas bebidas e não acompanhou os participantes durante tempo suficiente para determinar efeitos clínicos de longo prazo.
O estudo tem uma limitação importante
Apesar dos resultados, existe uma questão que precisa ser considerada antes de transformar o sweelin em uma recomendação ampla. O estudo envolveu apenas 19 pessoas e acompanhou as respostas do organismo durante 120 minutos após o consumo. Portanto, a pesquisa mostra como o corpo reagiu naquele período, mas não permite determinar o que aconteceria depois de meses ou anos de utilização.
Também é necessário investigar se os mesmos resultados seriam observados em grupos maiores e em pessoas com diabetes tipo 2, pré-diabetes ou obesidade.
Ou seja, os dados são promissores para entender o comportamento metabólico da substância, mas ainda não são suficientes para afirmar que seu consumo habitual produzirá benefícios de saúde a longo prazo.
Sweelin já passou por avaliação nos Estados Unidos
O desenvolvimento do produto já avançou além da etapa experimental. Em fevereiro de 2026, a Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, concluiu a análise do pedido apresentado pela Amai Proteins para que o sweelin fosse considerado GRAS, sigla para “geralmente reconhecido como seguro”.
A agência não apresentou ressalvas relacionadas à segurança da substância como adoçante de uso geral. Esse é o mesmo tipo de caminho regulatório utilizado por outras empresas que trabalham com proteínas doces, incluindo a norte-americana Oobli.
O produto também recebeu autorização da agência responsável pela segurança alimentar de Singapura em maio e já está disponível comercialmente em Israel.





