Há muito tempo havia um questionamento sobre como a Lua conseguiu se formar. Porém, cientistas, por meio de simulações computacionais avançadas, obtiveram uma resposta surpreendente: a formação, que teoricamente ocorreu após um impacto entre um protoplaneta chamado de Theia e uma Terra Jovem, ocorreu em apenas cinco horas.
A hipótese mais aceita é que o choque aconteceu há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, quando o Sistema Solar ainda estava em formação. Theia teria atingido a jovem Terra e lançado uma enorme quantidade de material para o espaço. Durante muito tempo, os modelos indicavam que esse material precisaria permanecer em órbita e se juntar gradualmente até formar a Lua. Uma nova simulação, porém, mostrou que uma grande parte desse processo pode ter acontecido praticamente de forma imediata.
O que aconteceu durante o impacto?
Theia era um corpo celeste com dimensões semelhantes às de Marte. Quando atingiu a Terra primitiva, a colisão liberou uma quantidade gigantesca de energia e lançou rochas e outros materiais para fora do planeta.
Esse processo é chamado de impacto gigante e é considerado o principal cenário científico para explicar a origem da Lua. Evidências obtidas pelas missões Apollo também contribuíram para fortalecer essa hipótese, principalmente porque as amostras lunares apresentaram características químicas e isotópicas muito semelhantes às encontradas na Terra.
O ponto que ainda gerava dúvidas era o que aconteceu imediatamente depois da colisão. Uma possibilidade era que os detritos formassem inicialmente um disco ao redor da Terra e, ao longo de meses ou anos, fossem se agrupando pela ação da gravidade até originar o satélite. O novo modelo, publicado no The Astrophysical Journal Letters, analisado pelos pesquisadores apresenta uma dinâmica diferente.
A Lua pode ter começado a existir em poucas horas
As novas simulações mudam principalmente a forma como os cientistas imaginam os primeiros momentos depois da colisão entre Theia e a Terra. Durante muito tempo, os modelos consideravam que o impacto produziria uma enorme quantidade de material derretido e fragmentado, que permaneceria ao redor do planeta e precisaria se juntar gradualmente até formar a Lua.
O novo trabalho, porém, levou em consideração características físicas que podem ter sido subestimadas em modelos anteriores, como a temperatura dos corpos envolvidos e a resistência mecânica das rochas. Essas variáveis são importantes porque determinam como a matéria se comporta durante uma colisão dessa magnitude.
Quando Terra e Theia estão mais quentes, as estruturas rochosas ficam menos resistentes e tendem a se deformar e se fragmentar com maior facilidade durante o choque. Nesse cenário, uma quantidade maior de material pode ser espalhada ao redor do planeta, formando uma estrutura semelhante a um anel de detritos.
Já em uma situação na qual os dois corpos estavam relativamente mais frios, as rochas apresentavam maior rigidez. Isso muda a dinâmica do impacto porque parte da estrutura de Theia poderia resistir à colisão em vez de ser completamente destruída.
Nas simulações analisadas pelos pesquisadores, essa diferença permitiu que uma parcela significativa do material permanecesse reunida e fosse colocada em uma trajetória ao redor da Terra. Em vez de começar apenas como uma nuvem de fragmentos que precisaria se acumular lentamente, a Lua poderia ter surgido praticamente como um corpo formado poucas horas depois do impacto.





