Uma mulher foi presa na cidade de Villa Mercedes, na província de San Luis, na Argentina, acusada de vender mais de 50 terrenos que pertenciam ao governo municipal.
Pelo menos 33 famílias pagaram pelos lotes e algumas já tinham começado obras no local quando descobriram que os terrenos não podiam ser vendidos.
Como o esquema funcionava
Segundo a investigação do Ministério Público, a acusada, identificada como Maité Reina del Portugal Escudero, usava documentos, croquis e supostos trâmites de posse para dar aparência legal às vendas.
Cada lote tinha cerca de 500 metros quadrados e era negociado por cerca de 15 milhões de pesos argentinos. O fraude veio à tona quando máquinas do governo chegaram ao terreno para iniciar os trabalhos preparatórios de um projeto de 300 habitações sociais.
O Estado provincial havia recebido o terreno em novembro do ano anterior para esse fim. Ao chegar, os operadores encontraram pessoas morando ou construindo no local.
A Municipalidade de Villa Mercedes foi até a Justiça no início de março de 2026. Moradores ouvidos pela rádio FM Latina 103.9 relataram que a negociação parecia legítima: a acusada mostrava expedientes, plantas de abertura de ruas e indicava outros lotes onde compradores anteriores já tinham água e luz ligados.
Depois da prisão
O tribunal manteve a prisão preventiva mesmo após a defesa solicitar prisão domiciliar alegando problemas de saúde. Os juízes consideraram que existem riscos processuais que justificam manter a acusada detida.
As famílias afetadas buscam formas de recuperar o dinheiro investido ou de regularizar a situação dos lotes. O terreno, que ocupa cerca de 12 quarteirões ao nordeste de Villa Mercedes, ainda tinha máquinas trabalhando na preparação do projeto habitacional enquanto a situação judicial era definida.





