Uma espécie invasora que chama atenção pelo risco ambiental e também pela capacidade de ferir seres humanos foi encontrada por governo brasileiro e uma colônia de pescadores em grande quantidade no litoral da Bahia. Trata-se do peixe-leão, animal originário do Indo-Pacífico que possui 18 espinhos capazes de inocular veneno. No sul do estado, pescadores e o governo de Porto Seguro retiraram cerca de 500 exemplares do mar em apenas um mês, em uma ação realizada no município.
Conforme noticiado pelo G1, a retirada dos animais ocorreu por meio de uma parceria entre a Colônia de Pescadores e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac). A iniciativa busca reduzir a presença do peixe em uma região onde sua expansão pode provocar consequências para a fauna marinha.
O problema não está apenas na aparência do animal. O peixe-leão é um predador que não pertence naturalmente aos ecossistemas brasileiros e consegue capturar outros animais marinhos em grande quantidade. Como as espécies locais não evoluíram junto com esse predador, o impacto sobre a biodiversidade pode ser significativo.
Peixe possui 18 espinhos venenosos
Entre as principais características do peixe-leão então a coloração laranja, vermelha, marrom e branca. Outro aspecto que ajuda a reconhecer a espécie são os raios alongados. E claro, não se pode esquecer dos 18 espeinhos venenosos.
Quando esses espinhos entram em contato com uma pessoa, podem inocular uma toxina capaz de provocar dor intensa, náuseas e, em situações mais graves, convulsões. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) alerta que o animal não deve ser tocado por mergulhadores ou pescadores.
Apesar do perigo, é importante corrigir uma ideia comum sobre a espécie: o veneno do peixe-leão não é considerado fatal para pessoas saudáveis. Isso não significa que o contato seja inofensivo. O acidente exige atenção e atendimento médico, principalmente quando surgem sintomas mais intensos.
Por que o animal preocupa os pesquisadores?
O principal problema provocado pelo peixe-leão é ecológico. A espécie é nativa do Indo-Pacífico e se tornou invasora em outras regiões do mundo, incluindo o Caribe e o Atlântico. No Brasil, os registros vêm aumentando e o animal já foi encontrado em diferentes áreas do litoral.
O comportamento predatório ajuda a explicar a velocidade com que a espécie pode alterar um ambiente. O peixe-leão consegue consumir animais de tamanho próximo ao seu e pode atingir uma alimentação muito superior à de vários predadores nativos.
Além disso, existe outro fator que dificulta o controle: as espécies brasileiras não reconhecem o peixe-leão como um predador habitual. Com isso, o animal consegue explorar os ambientes recifais sem enfrentar a mesma pressão natural que teria em seu habitat de origem. O resultado pode ser uma redução na quantidade de peixes nativos e, consequentemente, alterações na cadeia alimentar e na produção pesqueira.
Por que retirar os animais do mar?
A remoção faz parte de uma estratégia de controle de uma espécie que pode causar impactos simultâneos. De um lado, existe o risco direto para pescadores, mergulhadores e banhistas. Do outro, há a possibilidade de redução de populações nativas e alteração do equilíbrio dos ambientes marinhos.
No sul da Bahia, a retirada de aproximadamente 500 exemplares em um mês mostra a dimensão que a presença do animal pode alcançar em uma determinada região. A ação também evidencia a importância do envolvimento de comunidades que trabalham diretamente no mar, já que pescadores estão entre os primeiros a perceber mudanças na fauna local.





