Populações crescentes de macacos-rhesus ameaçam a sobrevivência de comunidades rurais nepalesas nas encostas do Himalaia.
Os animais invadem plantações de milho, milho-miúdo e arroz, enquanto as famílias dependem da colheita para se alimentar e gerar renda.
Há gerações, agricultores constroem terraços para transformar terrenos íngremes em campos de cultivo.
Gerações de produtores mantêm os muros de contenção e o solo que permitem a agricultura, mas o equilíbrio entre pessoas, terra cultivada e vida selvagem fica cada vez mais difícil de manter.
Mais de 100 mil macacos estão invadindo plantações no Himalaia e agricultores enfrentam um novo problema
O conflito entre humanos e animais silvestres intensificou-se à medida que a recuperação da vida selvagem colide com transformações rurais profundas.
Além dos macacos, javalis e porcos-espinhos-indianos causam danos crescentes aos cultivos, enquanto jovens deixam as regiões agrícolas em busca de oportunidades nas cidades.
Os macacos-rhesus chegam em tropas que podem ultrapassar centenas de animais e atacam as plantações durante o dia, quando agricultores trabalham no campo.
Moradores usam fundas, paus e dispositivos improvisados para fazer barulho e afastá-los.
O problema persiste à noite, quando porcos-espinhos-indianos e javalis entram em ação, revolvendo o solo e destruindo cultivos.
Para famílias que dependem da própria colheita, perder uma seção de milho não é apenas um incômodo.
Isso significa menos alimento armazenado para os meses seguintes e menos produto disponível para vender, comprometendo a sustentação econômica do lar.
A National Trust for Nature Conservation registrou 20.395 macacos-rhesus em 44 áreas onde os conflitos com agricultores eram considerados particularmente graves.
Ao analisar o panorama mais amplo das colinas médias, a organização estimou que a população poderia superar 104.000 animais em toda a região.
Um estudo publicado no American Journal of Primatology mostrou que as plantações representam aproximadamente 49% da dieta anual dos macacos selvagens no Nepal central.
O dado indica que elas deixaram de ser uma fonte ocasional de alimento e passaram a integrar regularmente a alimentação desses animais.
Impacto econômico nas comunidades rurais
Dados coletados pela NTNC junto a 1.846 famílias revelaram que perdas anuais de colheitas atribuídas à vida selvagem chegavam a aproximadamente 327.000 dólares.
O levantamento constatou ainda que uma única família podia perder cerca de metade de sua colheita de milho em ataques de macacos.
No distrito de Palpa, 85% dos 73 agricultores selecionados aleatoriamente relataram que os danos causados pela vida selvagem pioraram nos cinco anos anteriores.
Embora os números variem entre comunidades, o padrão aponta para uma tendência difícil de reverter, em que a coexistência entre humanos e animais em recuperação se torna cada vez mais desafiadora.





