A Nasa colocou em órbita no domingo passado, dia 30 de agosto, o telescópio Nancy Grace Roman, um equipamento capaz de mapear o universo em escala nunca antes alcançada pela astronomia.
A SpaceX lançou o telescópio a bordo de um foguete Falcon Heavy do Centro Espacial Kennedy.
O instrumento de US$ 4,3 bilhões (R$ 22,3 bilhões) seguirá para um ponto de observação a 1,6 milhão de quilômetros de distância, onde também opera o Telescópio Espacial James Webb.
A viagem até o destino final levará mais de três meses, e as primeiras imagens estão previstas para o início de 2027.
Telescópio de US$ 4,3 bilhões promete revelar bilhões de galáxias ao universo
O telescópio homenageia uma das primeiras mulheres a ocupar cargo de liderança na Nasa e será capaz de estudar exoplanetas, estrelas em explosão e buracos negros com uma precisão até então impossível.
O Roman tem o tamanho de um ônibus e funciona com mecanismo similar ao do Hubble, lançado em 1990 e ainda operacional após 36 anos no espaço.
A grande diferença está na escala: seu campo de visão é mais de 100 vezes maior que o do telescópio veterano, permitindo cobrir áreas maiores do cosmos em cada observação.
A velocidade de processamento é outra vantagem.
Observações que exigiriam um século inteiro de trabalho do Hubble serão concluídas pelo Roman em apenas um mês, o equivalente a mil vezes mais rapidez, com a mesma sensibilidade infravermelha.
Enquanto o Hubble acumulou cerca de 400 terabytes de dados em seus 36 anos operacionais, o Roman deverá produzir mais de 500 terabytes anualmente, demonstrando capacidade de processamento muito superior.
Além da câmera infravermelha de amplo campo, o Roman traz um coronógrafo experimental capaz de bloquear a luz das estrelas e criar eclipses artificiais.
Com isso, poderá fotografar diretamente planetas que seriam invisíveis por causa da fraca luz que refletem.
O telescópio foi projetado para receber reabastecimento, o que poderá estender sua vida útil caso um tanque robótico fique disponível na próxima década.
Desvendando os mistérios do universo invisível
Astrônomos veem no Roman uma ferramenta decisiva para compreender a matéria escura e a energia escura, forças invisíveis que constituem a maior parte do universo.
O catálogo de galáxias que o telescópio produzirá ajudará cientistas a medir a velocidade de expansão do universo e a entender melhor essas forças.
O Roman complementará o trabalho do James Webb, lançado no final de 2021 e que observa o universo em comprimentos de onda diferentes.
Juntos, os dois telescópios integram a próxima geração de instrumentos para ampliar o conhecimento sobre o cosmos e seu funcionamento em escalas nunca antes exploradas.





