O governo federal anunciou uma nova fase do programa Desenrola com uma medida que promete impactar diretamente milhões de brasileiros: bancos terão que retirar a negativação de pessoas com dívidas de até R$ 100.
A decisão mira um problema comum no país — consumidores impedidos de acessar crédito por valores baixos, muitas vezes esquecidos ou acumulados ao longo do tempo.
Novo programa visa “limpão” de nomes sujos por dívidas pequenas
Pelas novas regras, instituições financeiras que aderirem ao programa terão até 30 dias para “limpar o nome” desses consumidores. Na prática, isso significa retirar o CPF dos cadastros de inadimplência, como serviços de proteção ao crédito. A dívida, no entanto, não deixa de existir — ela continua ativa, mas sem impedir o acesso a crédito.
A medida busca corrigir distorções no sistema. Hoje, milhares de brasileiros permanecem negativados por quantias inferiores a R$ 100, o que limita desde a abertura de contas até a obtenção de financiamentos. Durante o anúncio, o governo destacou que esse cenário contribui para a exclusão financeira e dificulta a reorganização da vida econômica dessas pessoas.
Além da desnegativação automática para pequenos valores, o programa amplia as possibilidades de renegociação de dívidas maiores, com juros limitados a 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90%. Também será possível usar parte do FGTS para quitar débitos, com transferência direta para os bancos.
Outro ponto importante é a exigência de contrapartidas das instituições, como investimento em educação financeira e restrições ao uso de crédito em apostas online.
A iniciativa surge em um momento de alto endividamento das famílias brasileiras, que já compromete quase metade da renda anual. A expectativa é que a limpeza de nomes por dívidas pequenas funcione como porta de entrada para a reinclusão financeira de milhões de consumidores.





