Em abril deste ano, o hantavírus, uma doença pouco frequente em humanos, provocou espanto mundial após gerar 11 contaminações e três mortes em pessoas que estavam no navio de cruzeiro MV Hondius, que viajava da Argentina para Cabo Verde. Apesar de uma possível pandemia ter sido descartada por especialistas e autoridades, casos esporádicos começaram a virar notícia, como o de uma brasileira que já saiu da UTI e se recuperou 100% após ser contaminada.
O caso registrado em Santa Catarina, chama atenção pela evolução clínica considerada grave no início, mas que terminou com alta hospitalar e recuperação completa. A paciente, uma mulher de 60 anos, foi inicialmente internada no Hospital São Roque, em Seara, e posteriormente transferida para uma UTI em Concórdia, onde recebeu tratamento intensivo até a evolução positiva do quadro. A alta hospitalar ocorreu em 13 de março, após melhora clínica significativa.
Vale destacar que a enfermidade é causada por um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres, pode evoluir rapidamente para quadros respiratórios severos e exige atendimento hospitalar intensivo nas fases mais críticas.
O caso tem haver com o surto no navio?
Segundo o portal ND+, as autoridades de saúde descartam qualquer ligação entre o caso de hantavírus registrado em Santa Catarina e o surto investigado em um cruzeiro internacional. De acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive), os dois episódios envolvem linhagens diferentes do vírus, o que indica que não há conexão epidemiológica entre eles.
Outro ponto considerado decisivo é o histórico da paciente. Segundo os órgãos de saúde, ela não realizou viagens antes do diagnóstico e não houve registro de sintomas da doença entre familiares, o que reforça a hipótese de infecção localizada, associada ao ambiente onde vive.
Também de acordo com o ND+, a fiscal de Vigilância Sanitária e coordenadora de arboviroses de Seara, Cintia Mara Schwartz, explicou ainda que o caso ocorreu em fevereiro, antes da repercussão do episódio envolvendo o navio que acendeu alerta internacional. Em termos de vigilância epidemiológica, essa diferença temporal também ajuda a separar os eventos, que seguem investigações independentes.
Município realizou investigação na propriedade
Após a confirmação do diagnóstico, as Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária de Seara realizaram uma investigação no local onde a paciente vive. O objetivo foi identificar possíveis pontos de exposição ao hantavírus, especialmente em ambientes que possam ter contato com roedores silvestres.
De acordo com a coordenação de saúde do município, o trabalho incluiu orientações diretas à família e medidas de prevenção para reduzir riscos de novas infecções. Além disso, a paciente recebeu acompanhamento da atenção básica local durante todo o processo de recuperação, com monitoramento clínico e laboratorial.
Na terça-feira, 12, a prefeitura também instruiu agentes de saúde em relação ao hantavírus, com foco na identificação precoce de sintomas (Febre, dores nas articulações, cabeça, lombar, abdomên e sintomas gastrointestinais) e encaminhamento rápido de casos suspeitos. A recomendação é que qualquer pessoa com sinais compatíveis procure atendimento médico imediato, já que a evolução da doença pode ser rápida.
A coordenadora de arboviroses reforçou ainda que casos de hantavírus em Santa Catarina não são inéditos, mas têm baixa incidência e quando ocorrem são originados em áreas rurais, onde há maior exposição a roedores silvestres. Segundo dados da Prefeitura de Seara, houve o registro de apenas um caso em 2025. Em 2024, ninguém se contaminou, segundo os registros.





