Milhões de brasileiros que vivem em cidades litorâneas podem enfrentar impactos cada vez maiores nas próximas décadas. O alerta foi reforçado por cientistas que participaram da Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e considerado um dos mais completos já produzidos sobre a situação dos mares no planeta.
O estudo reúne contribuições de mais de 550 pesquisadores de 86 países e analisa temas como mudanças climáticas, biodiversidade, poluição, segurança alimentar e os efeitos do aquecimento global sobre os oceanos. Entre as principais conclusões está a aceleração da elevação do nível do mar, fenômeno que preocupa especialmente países com extensas áreas costeiras, como o Brasil.
Elevação do mar pode afetar cidades e populações costeiras
Segundo o professor brasileiro Ronaldo Christofoletti, um dos autores do relatório, a taxa anual de aumento do nível dos oceanos cresceu mais de 50% em comparação com a avaliação anterior, divulgada há quatro anos. O avanço passou de cerca de 3,2 milímetros por ano para 4,3 milímetros anuais.
De acordo com os pesquisadores, o crescimento do nível do mar tende a impactar principalmente regiões costeiras densamente povoadas. O Brasil possui mais de 8 mil quilômetros de litoral e concentra milhões de habitantes em cidades próximas ao oceano, incluindo diversas capitais estaduais.
Além do risco de avanço das águas sobre áreas urbanas, os especialistas alertam para possíveis reflexos na infraestrutura, no turismo, na economia local e até no abastecimento de comunidades costeiras.
O relatório também aponta que o fenômeno está diretamente ligado ao derretimento acelerado das calotas polares no Ártico e na Antártica. A perda de gelo altera a dinâmica entre oceanos e atmosfera, influenciando padrões climáticos em diferentes partes do mundo.
Para os cientistas, os dados confirmam que os efeitos das mudanças climáticas já estão em curso e exigem ações de adaptação e planejamento.





