O salário ainda é um dos principais fatores na escolha de carreira, mas deixou de ser o único critério para muitos brasileiros. Um estudo recente da Tax Group revela que 42% dos profissionais aceitariam abrir mão de parte da remuneração em troca de mais flexibilidade no trabalho.
A pesquisa, realizada com 1.565 pessoas, analisou primeiro a preferência sem considerar ganhos financeiros. Nesse cenário, cerca de 73% dos entrevistados apontaram o modelo híbrido — que combina trabalho remoto e presencial — como o ideal.
Flexibilidade ganha espaço nas decisões de carreira
Quando colocados diante de uma escolha direta, os participantes tiveram que optar entre duas alternativas: manter o modelo híbrido com salário menor ou migrar para o trabalho 100% presencial com aumento de 50% na remuneração. O resultado mostrou uma divisão relevante: enquanto 58% preferiram ganhar mais, 42% escolheram preservar a flexibilidade, mesmo com impacto financeiro.
Para Janice Gisler, diretora de gente e cultura da consultoria, a decisão vai além do salário. “Mesmo diante de um aumento relevante de remuneração, uma parcela significativa dos profissionais opta pela flexibilidade”, afirma, à revista Valor. Segundo ela, fatores como tempo de deslocamento, custos com transporte e alimentação, além do desgaste mental, influenciam diretamente essa escolha.
O levantamento também aponta diferenças de perfil. O modelo presencial tende a atrair profissionais mais focados em crescimento financeiro e ascensão rápida, enquanto formatos flexíveis são mais valorizados por quem busca autonomia e qualidade de vida.
Nesse cenário, empresas têm ampliado o conceito de flexibilidade. “Não se trata apenas de home office, mas de oferecer autonomia na gestão do tempo e personalização da jornada”, explica Gisler.
A pesquisa indica ainda que o regime de trabalho virou um filtro tanto para empresas quanto para candidatos, refletindo uma mudança nas prioridades do mercado profissional brasileiro.





