Comer em horários desorganizados pode ser mais perigoso do que se imagina, especialmente para idosos que já passaram por um ataque cardíaco. Um estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology sugere que a falta de regularidade nas refeições aumenta significativamente o risco de morte ou de novas complicações após um infarto.
A pesquisa acompanhou 113 pacientes, todos com idade média de 70 anos, tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, no interior paulista. Durante a internação em UTI, eles responderam a questionários que permitiram mapear os hábitos alimentares, e os efeitos foram analisados por até 30 dias após a alta hospitalar.
Café da manhã negligenciado e jantares tardios preocupam especialistas
Os dados revelaram que pessoas com rotina alimentar instável tinham até cinco vezes mais chances de sofrer outro infarto ou dores no peito no curto prazo. Entre os pacientes que faleceram, mais da metade não fazia a primeira refeição do dia e 51% mantinham o hábito de jantar tarde. Cerca de 40% combinavam as duas práticas pelo menos três vezes por semana, o que piorava ainda mais o prognóstico.
Embora a pesquisa seja observacional — ou seja, não prove uma relação de causa e efeito —, ela reforça a ideia de que quando se come pode ser tão importante quanto o que se come. Já está estabelecido que dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e sódio favorecem diabetes e hipertensão.
Agora, cresce a evidência de que horários irregulares também podem desestabilizar o metabolismo, atrapalhar o sono e aumentar os riscos cardiovasculares.
Segundo os autores, manter refeições regulares, especialmente o café da manhã, pode ser uma estratégia simples e eficaz para ajudar na recuperação após o infarto. Além disso, evitar jantares próximos à hora de dormir pode proteger o coração e melhorar a qualidade de vida na terceira idade.





