Um fármaco experimental desenvolvido pela Hangzhou Sciwind Biosciences tem atraído atenção internacional após resultados expressivos em um estudo clínico avançado.
Batizado de ecnoglutida, o medicamento levou pacientes a perderem mais de 15% do peso corporal após 48 semanas de tratamento com a dose mais alta, aproximando-se do desempenho de medicamentos já consolidados como Wegovy (Novo Nordisk) e Mounjaro/Zepbound (Eli Lilly).
Como funciona ecnoglutida, o possível próximo Ozempic
A ecnoglutida é aplicada por injeção semanal e está em análise regulatória na China para tratamento da obesidade e do diabetes, com possível aprovação já em 2026. Segundo o CEO da Sciwind, Hai Pan, cerca de 93% dos participantes do estudo perderam ao menos 5% do peso, resultado superior ao observado em testes locais de concorrentes como Wegovy e Zepbound.
O medicamento atua de forma semelhante aos análogos de GLP-1, hormônio que regula glicemia e apetite, mas com estrutura diferenciada, o que pode aumentar sua eficácia e reduzir riscos. Além da perda de peso, os pacientes apresentaram melhorias em pressão arterial, gordura no fígado e ácido úrico. Os efeitos adversos mais comuns foram náuseas, vômitos e diarreia.
A Sciwind já iniciou parcerias para expansão internacional: o fármaco foi testado na Austrália e na Nova Zelândia, e há acordo para comercialização na Coreia do Sul. Estudos nos Estados Unidos e na Europa ainda não foram iniciados, mas especialistas, como a professora Tricia Tan, do Imperial College London, afirmam que os resultados são aplicáveis a outras populações.
O mercado chinês de medicamentos para obesidade é estimado em mais de US$ 13,9 bilhões, e a Sciwind mira 10% dessa fatia. Com mais de 30 concorrentes em desenvolvimento no país, a disputa deve se intensificar, mas a ecnoglutida já desponta como um dos candidatos mais promissores para ampliar o acesso global a tratamentos eficazes contra a obesidade.





