Uma mudança global nas regras de aposentadoria pode estar a caminho — e promete gerar polêmica. A proposta, apresentada por uma das principais entidades do setor de transportes, busca ampliar o limite etário para 67 anos, apoiando-se em avanços médicos e na maior expectativa de vida da população.
O alvo da medida são os profissionais da aviação. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que reúne companhias aéreas de todo o mundo, sugeriu à Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) que os pilotos de voos comerciais possam continuar em atividade por dois anos além do limite atual, que hoje é de 65.
Pilotos mais velhos no comando dividem opiniões
A justificativa é respaldada por dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam melhorias globais de saúde e ressaltam que a tripulação de voo, em especial, é submetida a exames médicos regulares e possui índices de bem-estar superiores à média da população.
Apesar disso, a reação foi imediata. O maior sindicato de pilotos dos Estados Unidos, a Air Line Pilots Association (ALPA), rejeitou a proposta e classificou a mudança como arriscada. Em nota, a entidade destacou: “Os Estados Unidos são líderes globais em segurança na aviação, e devemos resistir a qualquer tentativa arbitrária de alterar a estrutura regulatória que nos trouxe até aqui”.
Hoje, a ICAO recomenda a aposentadoria compulsória aos 65 anos — regra que já havia sido ampliada de 60 em 2006. Embora suas diretrizes não tenham caráter obrigatório, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) segue fielmente essas normas.
O tema será discutido na 42ª assembleia da ICAO, entre 23 de setembro e 3 de outubro. Até lá, sindicatos, empresas e autoridades devem continuar em rota de colisão sobre até que ponto é seguro estender a idade de quem comanda os aviões.





