O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a causar polêmica ao sugerir que o uso de paracetamol durante a gravidez poderia estar relacionado ao aumento dos casos de autismo.
A declaração, feita ao lado do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., repercutiu negativamente entre especialistas, que apontam a ausência de qualquer base científica para a afirmação.
OMS desmente que paracetamol seja causador do autismo
O medicamento, amplamente utilizado no Brasil e em outros países para controlar dor e febre, é considerado seguro para gestantes quando prescrito corretamente. Organizações médicas reagiram rapidamente.
O Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras classificou o anúncio como “preocupante” e sem respaldo em evidências. Já a Sociedade Nacional de Autismo do Reino Unido afirmou que a fala de Trump é “perigosa, contra a ciência e irresponsável”.
A OMS também reforçou que não há provas de que o paracetamol cause ou agrave o autismo. Segundo a entidade, as causas da condição ainda não são totalmente compreendidas e envolvem múltiplos fatores genéticos e ambientais. A Comissão Europeia seguiu na mesma linha, destacando que não existe relação comprovada entre o medicamento e a condição.
Trump justificou sua fala citando estatísticas sobre o aumento do número de diagnósticos nos Estados Unidos nas últimas décadas. De fato, dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram crescimento nos índices, mas especialistas explicam que esse avanço se deve principalmente à ampliação dos critérios de diagnóstico e ao maior acesso a exames.
Além disso, médicos alertam que espalhar desinformação pode gerar riscos reais, levando gestantes a evitar um medicamento seguro e testado, ou até a buscar alternativas inadequadas. Enquanto novas pesquisas continuam sendo realizadas, a recomendação oficial segue a mesma: o paracetamol pode ser usado durante a gestação, desde que com orientação médica.





