O setor aéreo europeu voltou a entrar em zona de atenção após um alerta direto vindo de uma das principais lideranças do mercado de baixo custo. Em entrevista ao jornal italiano Il Sole 24 Ore, Michael O’Leary, presidente executivo da Ryanair, empresa aérea com cede na Irlanda e que se destaca devido a ofertas com tarifas extremamente baixas, afirmou que as companhias aéreas Wizz Air e airBaltic podem falir no final deste ano, caso o petróleo se mantenha com o custo elevado.
A declaração coloca pressão sobre um setor que já opera em margens estreitas e altamente sensíveis a variações no preço do combustível, um dos principais componentes do custo operacional da aviação.
O alerta e o cenário de risco no setor aéreo
Segundo o executivo, o aumento contínuo dos preços do combustível de aviação, somado a tensões geopolíticas recentes, pode criar um ambiente insustentável para essas empresas. Além disso, na avaliação dele, pelo menos mais uma companhia aérea europeia deve não suportar a pressão financeira nos próximos meses, caso o cenário atual de alta do petróleo continue.
O ponto central da análise está na combinação entre alta demanda operacional e custos de combustível em patamar elevado, o que reduz a capacidade das empresas de absorver choques financeiros sem repassar valores ao consumidor ou comprometer sua estrutura.
Como forma de exemplificar sua fala, o executivo destacou que só em abril, a guerra no Irã já custou à Ryanair um valor extra de 50 milhões de dólares (42,6 milhões de euros) em combustível.
Um setor historicamente sensível a crises
A aviação é um dos setores mais expostos a ciclos econômicos globais. Em momentos de crise, a demanda por viagens tende a cair rapidamente, enquanto os custos fixos permanecem elevados. Isso cria uma estrutura de pressão contínua sobre as companhias.
Além disso, o setor também é impactado por fatores externos como conflitos internacionais, oscilações no preço do petróleo e mudanças regulatórias, o que amplia ainda mais sua volatilidade estrutural.
Wizz Air se defende dos comentários do executivo
Em nota, a companhia aérea Wizz Air classificou como “completamente falsas” as afirmações realizadas pelo executivo. A empresa disse que possui uma situação financeira sólida, com muita liquidez. Além disso, seus aviões são financiados com 18 meses de antecedência.
Outro ponto é que 75% de sua frota já conta com as aeronaves da família A320neo, que ajudam a reduzir custos, pois consomem menos combustível e proporcionam maior eficiência.
O veículo de imprensa Euronews Travel, buscou alguma declaração da airBaltic, mas, até o momento, não houve nenhum pronunciamento oficial da empresa.




