Dos salões de beleza improvisados às barracas de doces nas esquinas, os pequenos negócios se tornaram fonte de sustento para muitas famílias em comunidades do Rio. Mas a falta de experiência em gestão e a dificuldade em entender conteúdos cheios de termos técnicos ainda são barreiras para a sobrevivência desses projetos.
Foi para enfrentar esse desafio que surgiu a Escola de MEI, que ensina o que chama de “empreendedorismo real”, com linguagem acessível e exemplos próximos da vida dos alunos.
Em seis anos de atividade, a iniciativa já formou mais de dois mil alunos, em sua maioria mulheres, com aulas presenciais e online.
O catálogo de cursos cobre as dores mais comuns de quem está começando: direitos e deveres do MEI, uso estratégico do Instagram, práticas de sustentabilidade e precificação. Este último se tornou o mais procurado, já que definir preços é um dos maiores desafios dos microempreendedores.
“É o que mais trava quem está começando. Sem saber cobrar, o negócio não sobrevive” explica Erica Master, fundadora da Escola de MEI, ao Extra Globo.
Na sala de aula, os participantes aprendem a organizar contas, calcular custos e transformar horas de trabalho em números que garantam lucro e estabilidade.
Conteúdo que fala a mesma língua
A proposta vai além das apostilas e se conecta com a vida real de cada turma. Nascida no Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa, Erica usa a própria trajetória para aproximar o conteúdo da vida de quem sonha em abrir o próprio negócio.
“Tem muita gente ensinando de forma complicada na internet. Eu prefiro usar memes e uma linguagem simples que dialogue com a realidade da aluna”, diz.
Próximos passos: um jogo para ensinar a empreender
Agora, a empreendedora prepara um novo formato para ampliar o alcance da Escola. Inspirada nas dificuldades dos alunos, decidiu criar um jogo educativo que simula a rotina de quem precisa aprender a empreender do zero.
Para tirar a ideia do papel, estudou design de games para a educação e conquistou um edital que viabilizou o início do projeto. O jogo mistura interatividade com vídeo-aulas e guia o participante até estruturar o próprio negócio.Enquanto o projeto é desenvolvido, Erica continua multiplicando conhecimento: “Atualmente, vou começar a dar aula de educação financeira para jovens em Realengo e no centro da cidade. E, na quarta-feira, vou dar aula na Rocinha para mulheres sobre precificação”.





