Como uma falência milionária mudou a vida de Érick Jacquin, do MasterChef

Publicado em 16/05/2026, às 09h51
Reprodução / Band
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Por Purepeople

Conhecido pelo temperamento explosivo no “Pesadelo na Cozinha” e pelas broncas icônicas no “MasterChef Brasil”, Érick Jacquin fala de gastronomia com a propriedade de quem construiu um império entre restaurantes premiados, TV e negócios milionários. Mas a trajetória do chef francês carrega uma cicatriz que ele nunca fez questão de esconder: a falência dolorosa do antigo Le Brasserie, em São Paulo.

Anos após ver seu mundo desabar financeiramente, Jacquin tirou dali a lição mais valiosa da sua vida. Em um papo sincero com o Notícias da TV, em fevereiro de 2025, o jurado do “MasterChef” resumiu esse aprendizado em um mantra curto e grosso: “É preciso respeitar e obedecer o dinheiro. Eu aprendi a obedecer”.

A frase veio justamente durante o lançamento de mais uma temporada do “Pesadelo na Cozinha”, reality onde ele resgata restaurantes à beira do abismo. Ou seja, quando Jacquin puxa a orelha de um comerciante devedor, ele não fala apenas como um empresário de sucesso, mas como alguém que já sentiu na pele a dor de quebrar!

O tombo que marcou a trajetória do chef

Bem antes de virar esse fenômeno da televisão, Jacquin enfrentou o pior momento de sua carreira com as portas fechadas do Le Brasserie, um sofisticado restaurante francês que comandou por sete anos no Itaim Bibi, zona nobre da capital paulista.

O chef nunca fugiu do assunto e já desabafou várias vezes sobre o peso emocional e financeiro daquele fechamento. Em 2017, num episódio marcante do “Pesadelo na Cozinha”, ele abriu o coração sobre a luta para manter a casa aberta enquanto os custos engoliam o faturamento.

“Fechei porque não tinha clientes o suficiente. Tudo subiu: aluguel subiu e foi para R$ 60 mil por mês. Decidi fechar antes que começassem a falar que a comida era ruim”, contou na ocasião.

A conta, claro, foi astronômica. Em 2013, o restaurante operava com uma estrutura pesada de mais de 90 funcionários, o que transformou as rescisões e dívidas em uma bola de neve. “Eu já chorei, já xinguei e estou pagando ainda”, desabafou o chef.

‘Eu quebrei muito feio’

Na entrevista ao Notícias da TV, Jacquin tocou na ferida de forma ainda mais íntima. Ele relembrou como a falência mudou não só sua conta bancária, mas o comportamento das pessoas ao seu redor.

“Quando a gente começou o ‘Pesadelo’, uma pessoa chegou e falou: ‘Jacquin, como você pode fazer isso se você quebrou?’. E é verdade, eu quebrei, eu passei por essa fase. Eu quebrei muito feio”, declarou.

O tombo também isolou o cozinheiro, afetando em cheio sua vida social e a autoestima na época. “O telefone para de tocar, você fica com poucos amigos. Muita gente pensa: ‘Se ferrou, bem feito’. Fiquei com vergonha porque eu estava devendo”, afirmou.

Em vez de esconder o passado debaixo do tapete, Jacquin usou o trauma a seu favor. Para ele, os erros do passado se transformaram no combustível que dá autoridade aos seus julgamentos na TV. “Só quem tem experiência pode tentar ajudar os outros”.

'MasterChef Brasil' salvou Érick Jacquin: 'Ninguém me ajudou'

A grande virada de chave aconteceu em 2014, quando a Band cruzou o seu caminho. Ao Notícias da TV, Jacquin recordou que estava no limbo, sem restaurante e sem rumo, quando recebeu o convite para o "MasterChef". “Ninguém me ajudou. Quem me ajudou foi a TV”, disparou.

O sucesso estrondoso do programa foi o oxigênio que ele precisava para limpar seu nome, voltar ao mercado e reconstruir sua reputação gastronômica. “Graças ao MasterChef eu dei a volta por cima, consegui pagar minhas dívidas. Ainda tenho [dívidas], mas quem não tem?”, pontuou.

Hoje, a realidade é outra. Jacquin dá as cartas em um verdadeiro império em São Paulo, comandando casas badaladas como o Président, o Ça-Va, o Lvtetia, o Steak Bife e o Jojo (focado em peixes e frutos do mar).

Mesmo nadando em águas calmas novamente, a cicatriz da crise virou escola. Para o chef, a maior herança daquela tempestade foi aprender a olhar para a gestão com outros olhos. “Os restaurantes têm problema, mas quem não tem hoje? É muito complicado. É preciso respeitar e obedecer o dinheiro. Eu aprendi a obedecer”, concluiu.

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