Meik Wiking, fundador do Museu da Felicidade, utiliza os conceitos dinamarqueses de 'hygge' e 'pyt med det' para promover bem-estar, focando na redução da infelicidade ao invés da busca direta pela felicidade. Essas expressões enfatizam a importância de conforto, socialização e uma atitude prática diante das dificuldades.
Os países nórdicos, frequentemente no topo dos rankings de felicidade, se destacam por serviços públicos de qualidade e políticas de apoio familiar, com o 'hygge' simbolizando uma cultura que valoriza experiências e relacionamentos em detrimento de bens materiais. No entanto, um estudo revela que 12,3% da população nórdica enfrenta sofrimento, com um índice de 13,5% entre os jovens, destacando a saúde mental como um desafio significativo.
A pesquisa indica um aumento de problemas mentais entre os jovens, com 18,3% dos dinamarqueses de 16 a 24 anos apresentando transtornos, especialmente entre mulheres. Apesar disso, a proporção de pessoas em sofrimento nos países nórdicos é inferior à de nações como Rússia e França, sugerindo uma complexa realidade de bem-estar.
O dinamarquês Meik Wiking, fundador do Museu da Felicidade e CEO do Instituto de Pesquisa da Felicidade, em Copenhague, na Dinamarca, e que foi considerado o 'homem mais feliz do mundo' repete todos os dias duas expressões da sua cultura para reduzir fontes de tristeza.
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Uma das palavras é 'hygge', conceito dinamarquês ligado a conforto e aconchego. A expressão também se conecta a se sentir bem por meio da socialização, do descanso e da sensação de segurança, e pode descrever desde um ambiente charmoso até pequenas alegrias cotidianas
A outra expressão é 'pyt med det', traduzida como 'não importa'. A ideia é reconhecer que nem tudo sai perfeito e, mesmo em dificuldades, seguir em frente com uma atitude prática, focando os aspectos positivos da vida.
Wiking não tem dúvidas em dizer que os dois conceitos miram mais a redução do que causa infelicidade do que uma busca direta por 'ser feliz'. Ele acredita que o caminho passa por identificar 'coisas simples' que fazem a pessoa se sentir bem e se cercar de boas companhias e experiências.
Países nórdicos costumam liderar rankings internacionais de felicidade, como o World Happiness Report. O ranking usa fatores como apoio social, expectativa de vida, renda, liberdade, confiança e percepção de corrupção.
A explicação mais comum para o bom desempenho é que a população recebe serviços públicos de alta qualidade, como educação e saúde, além de políticas de apoio a famílias. O 'hygge' é citado como um exemplo de valor cultural que privilegia experiências e relacionamentos, mais do que bens materiais
Um relatório do Conselho Nórdico de Ministros e do Instituto de Pesquisa da Felicidade aponta que a imagem de 'utopia' pode encobrir problemas, especialmente entre jovens.
O estudo colheu dados entre 2012 e 2016, e registrou 12,3% da população nórdica em situação de sofrimento ou dificuldade; entre jovens, o índice foi de 13,5% A análise identifica a saúde mental como uma das principais barreiras para o bem-estar subjetivo.
Um dos autores Michael Birkjaer destaca que 'cada vez mais jovens sentem solitários e estressados, tendo distúrbios mentais' e diz ver 'uma epidemia de problemas mentais e solidão' chegando aos países nórdicos
Na Dinamarca, 18,3% das pessoas entre 16 e 24 anos sofrem de transtornos mentais, com proporção maior entre mulheres. Apesar dos números, o levantamento aponta que a parcela classificada como 'em sofrimento' nos países nórdicos é menor do que a registrada em países como Rússia e França.
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