Em depoimento, babá relembra inchaço na cabeça e roxidão na orelha de Rhavy antes de criança morrer

Publicado em 19/10/2026, às 12h30
Cortesia/Ascom MPAL
Cortesia/Ascom MPAL

Por Redação

O júri popular da mãe e do padrasto de Rhavy Abraão Alves de Lima, menino de dois anos encontrado morto em Maceió, está em andamento, com a babá da criança testemunhando sobre lesões que presenciou antes da morte do menino.

A babá relatou que Rhavy apresentava sinais de dor e ferimentos, mas a mãe não buscou atendimento médico, alegando que o menino havia se machucado em um acidente, o que levanta suspeitas sobre as circunstâncias da morte.

O médico-legista confirmou a presença de lesões visíveis no corpo da criança, indicando violência, e o julgamento, conduzido pelo juiz Geraldo Amorim, continua no Fórum da Capital em Maceió.

Resumo gerado por IA

A babá de Rhavy Abraão Alves de Lima, menino de dois anos encontrado morto em Garça Torta, em Maceió, há quase um ano e meio, depôs no júri popular da mãe e do padrasto da criança nesta segunda-feira (19). Enquanto era ouvida, ela confirmou ter presenciado lesões na cabeça da vítima na semana que antecedeu a morte.

"O Rhavy não conseguia se expressar direito, não sabia explicar. Ele falava, mas não tinha muito desenvolvimento. Comigo, ele só reclamou de uma dor de cabeça. Eu perguntei o que era e ele mostrou a cabeça. Dias depois, a mãe me mostrou um vídeo com a cabeça dele inchada", disse Viviane, a jovem que trabalhou como babá do menino nos últimos três meses de vida dele.

Ela contou ainda que a mãe, Nicole Maria de Lima Braga, não o levou ao médico na ocasião e relembrou um episódio em que Rhavy apareceu com a orelha ferida. A mãe teria dito para a babá que um acidente havia ocorrido e não deu mais detalhes. "Eu fiz uma foto da orelha roxa e mandei para a mãe. Ela disse que o Rhavy prendeu a orelha na porta".

Além de Rhavy, Viviane cuidava dos outros dois filhos de Nicole. As crianças ficavam na casa da própria babá. "Eu também cuidava dos mais velhos. Na verdade, um deles não ficava, mas aparecia na minha casa e eu ficava com pena, porque ele ficava olhando os irmãos, então eu mandava entrar também. Eu não convivia com o casal, só fui à casa deles umas duas vezes", disse ao destacar que, apesar das evidências, nunca presenciou as agressões contra a criança.

Dia da morte

Viviane relatou que esteve na residência da família de Rhavy no dia em que a morte veio à tona e que a mãe alegou a ela que o filho havia caído da cama. "No dia do acontecido, quando acordei e escutei a vizinha dizendo que ele tinha morrido, liguei para a mãe dele. Ela disse que ele tinha caído da cama. Eu fui lá e ela disse que ele tinha caído da cama", relatou.

A babá recordou que Nicole não tinha o costume de ir para a academia. Para a polícia, no dia do crime, a mãe de Rhavy disse que não estava em casa, pois havia saído para malhar.

Laudo apontou lesões na cabeça e no tronco

O médico-legista Marcos Xavier também foi ouvido no júri e trouxe detalhes do resultado do laudo da morte da criança. "Tratava-de um corpo de uma criança que, segundo a polícia, foi encontrada em casa. Executamos a necropsia e externamente já havia alguns sinais de violência. A violência era visível, o que foi confirmado com os exames internos. Havia lesões na cabeça e no tronco também".

As lesões da cabeça, segundo Xavier, eram externas, mas a lesão do fígado foi traumática. "Posso afirmar que a lesão foi ocasionada por uso de instrumento contundente, não deu pra precisar que instrumento foi", ao acrescentar que podem ter sido as mãos, o próprio solo e outros.

O médico-legista esclareceu que é pouco improvável um acidente por queda, já que tinha ferimento nos dois lados do corpo e uma lesão grave no abdômen.

"Não tinha como precisar a hora exata da morte, pois o corpo da criança é diferente, pode modificar se retirada do local, por exemplo. O que posso afirmar é que não tinha acontecido há mais de 24 horas, além disso o corpo tinha muito sangue no abdômen".

O julgamento

O julgamento de Nicole Maria de Lima Braga e Manoel Pedro Tavares de Souza está sendo realizado no Fórum da Capital, no Barro Duro, e é conduzido pelo juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal de Maceió.

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