Brasil

Enfermeira perde avó por covid-19 durante plantão: "Me senti impotente"

Viva Bem/UOL | 04/04/21 - 14h08 - Atualizado em 04/04/21 - 14h10
Arquivo Pessoal

Giovanna Marques, 23 anos, está atuando na linha de frente de combate à pandemia do coronavírus. A profissional, que trabalha na UTI (Unidade de terapia intensiva) covid de dois hospitais de São Paulo, relata o clima de cansaço entre os colegas. Ela também relembra quando sua avó, internada com covid-19, morreu no hospital em que trabalhava. Leia relato concedido a VivaBem:

"A situação agora está muito pior com essa nova onda. Estamos vendo o dobro de mortos e infectados por dia. Além disso, os pacientes são mais jovens e, muitas vezes, sem comorbidades — contrariando o que muita gente pensa que só tem complicações quem tem outras doenças associadas.

É muito difícil porque, em um plantão, estamos conversando com o paciente e, no outro, ele já está intubado lutando pela vida. Às vezes, perco as esperanças, mas ela reacende a cada vez que vejo um paciente sair do tubo e receber alta da UTI (Unidade de terapia intensiva).

"Apesar do cansaço e de presenciar muitas perdas, eu também testemunho vitórias e isso me dá forças para continuar lutando."

Entre os colegas de trabalho, o clima é de muito cansado, fisicamente e mentalmente. São plantões intensos, porém seguimos muito unidos, um ajudando o outro. Por isso, me sinto grata por estar na linha de frente e fazer a diferença na vida dessas pessoas.

Uma das histórias que mais me marcou, desde o começo da pandemia, foi quando a minha avó, Maria, pegou a doença e faleceu no hospital onde eu trabalhava, em maio do ano passado. No dia, levamos minha vó ao pronto-socorro com a saturação a 81. Ela foi internada na mesma hora e, à noite, já intubada. Foram 14 dias assim, mas ela não aguentou.

"Foi muito difícil fazer todos os plantões sabendo do estado dela. Tratamos todo mundo, mas me senti muito impotente sem poder cuidar da minha avó."

É exaustivo ver a população se negando a cumprir as medidas de isolamento. Você dá tudo de si e, muitas vezes, até sua própria saúde pela do outro, que é um risco por necessidade. Aí você vê as pessoas se arriscando por luxos desnecessários.

Entendo, com certeza, que a economia e o trabalho são coisas importantes, mas eles não vão servir de nada se você estiver num leito intubado".