Alagoas

Especialista explica possíveis causas dos ataques de piranhas no Rio São Francisco

Redação TNH1 | 27/09/21 - 14h47 - Atualizado em 27/09/21 - 14h59
Cortesia ao TNH1

Após o Corpo de Bombeiros registrar nesse domingo, 26, mais um ataque de piranhas a banhistas no Rio São Francisco neste mês de setembro, o coordenador do Laboratório de Ictiologia e Conservação da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), professor Cláudio Sampaio, explicou os motivos que podem estar causando esses incidentes. 

Segundo ele, os ataques não são novidades e passaram a ganhar mais notoriedade com a facilidade do compartilhamento das informações por meio das redes sociais. 

"Os recentes incidentes com piranhas e pirambebas na região do Baixo São Francisco não são uma novidade, sendo apenas mais conhecidos agora devido a facilidade das redes sociais. As piranhas e pirambebas são peixes carnívoros e nativos que podem apresentar um comportamento defensivo de seus ninhos, construídos na vegetação flutuante ou localizada nas margens. Os banhistas, ao se aproximarem dessa vegetação, sem saber que há um ninho de piranha, podem receber mordidas com o objetivo de afastar possíveis predadores", esclareceu o professor.

De acordo com o Laboratório de Ictiologia e Conservação da Ufal, outra possibilidade é que o desenvolvimento do turismo na região e o comportamento das pessoas possam ter alguma influência. "Restos de refeições são lançados no Rio São Francisco para atrair peixes, sendo a piranha uma espécie carnívora, pode ser atraída por pequenos peixes ou mesmo pelo alimento artificial disponibilizado. Esses peixes quando estimulados pela presença de alimento (pequenos peixes e restos de refeições) podem causar mordidas em banhistas próximos". 

Essas mordidas citadas podem causar pequenas mutilações com hemorragias e perda de tecido, devendo ser as vítimas encaminhadas a postos médicos, orientou Sampaio. "Não há casos graves, mas incidentes envolvendo idosos e crianças são mais perigosos", acrescentou.

Outro ponto levantado pelo coordenador do Laboratório de Ictiologia e Conservação da Ufal é o impacto da ação do homem no meio ambiente. 

"A redução da vazão, a degradação das margens, com perda de Mata Ciliar, lançamento de esgotos domésticos, turismo e pesca desordenada podem, também, influenciar e alterar o comportamento das piranhas, que nos meses mais quentes iniciam seu período reprodutivo, coincidindo com o aumento da utilização do rio por banhistas".

Sampaio reforçou que os banhistas devem estar atentos e deu dicas para que as pessoas analisem a situação antes de entrarem na água.

"Recomenda-se antes do banho de rio avaliar visualmente a presença de vegetação flutuante e nas margens, que deve ser evitada a aproximação. Evitar lançar restos de alimentos na água, próximos de locais de banho. Buscar sempre informações sobre a segurança com bombeiros e pescadores locais", concluiu.

Entenda o caso

O trecho do Rio São Francisco em Pão de Açúcar, no Sertão alagoano, voltou a registrar ataques de piranhas a banhistas. Desta vez, três pessoas, dois homens e uma mulher, foram atacados enquanto se banhavam, nesse domingo (26). Um dos homens foi ferido pelo peixe no pé esquerdo.

No último dia 12, seis banhistas, incluindo uma criança, foram atacados por piranhas também em Pão de Açúcar. Nesse caso, eles haviam colocado a mesa na água e foram feridos nos pés pelas pirambebas. Um trecho na cidade muito frequentado por residentes e turistas já chegou a ter o banho de rio proibido por mais de dois meses, após uma série de ataques.