Contextualizando

Fracasso no futebol: "Chega de tapar o sol com a peneira"

Em 13 de Julho de 2026 às 18:15

A pífia participação do Brasil na Copa do Mundo deste ano continua a predominar no imaginário popular.

Há uma constatação geral de que o mais recente fracasso é consequência de uma série de erros, dentro e fora do campo.

Um resumo disso está no texto abaixo, de Nuno Vasconcellos:

"A frustração que se espalhou pelo país na semana passada, depois que a derrota para o time da Noruega tirou a Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2026, trouxe uma discussão que não pode ser adiada. Uma discussão que, além do futebol, se estende a outras situações da vida nacional. O ponto de partida do debate, que além de urgente é necessário, é o seguinte: não é mais possível continuar tentando tapar o sol com a peneira e seguir ignorando que os problemas do país são consequência de uma mania que precisa ser abandonada. 

Essa mania é a de se queixar das consequências sem atacar as causas dos problemas. No caso da Copa, a desclassificação não começou aos 34 minutos do segundo tempo da partida, quando Erling Haaland marcou o primeiro gol da Noruega. Ela foi consequência de erros que começaram a ser cometidos anos atrás e que, enquanto não forem corrigidos, seguirão produzindo uma decepção atrás da outra. A verdade é que o futebol do país já não é o mesmo do passado. Ele vem sendo dilapidado pelas trapalhadas e omissões dos cartolas, pelo despreparo dos treinadores, pelo endeusamento prematuro de atletas e por uma série de outros males. 

Não é o caso de entrar em detalhes nem de tentar explicar, aqui, o processo que levou à perda de força e de prestígio internacional de uma Seleção que, embora não consiga se impor sobre os adversários, ainda mobiliza a paixão dos brasileiros. Queiram ou não queiram os que criticam o interesse que o futebol sempre despertou em um país que tem problemas muito mais sérios para resolver, a Seleção sempre ajudou a projetar uma imagem positiva do Brasil no mundo. 

Nesta Copa, sob comando do italiano Carlo Ancelotti — que tem contrato com a Confederação Brasileira de Futebol até a Copa de 2030 —, o time chegou a dar ao torcedor a esperança de que poderia ter ido mais longe. O que se viu, no final das contas, foi a repetição dos erros de outros Mundiais. E a certeza de que o futebol brasileiro terá de mudar. O primeiro passo na direção de uma nova era depende de reconhecer que as glórias do passado são incapazes de garantir as vitórias do presente. 

Uma das lições deixadas por essa Copa é a de que não se deve entrar sem o preparo adequado numa disputa com adversários bem treinados. Isso significa abrir as portas para a derrota. A verdade incômoda, porém, é que as apostas em soluções improvisadas, baseadas na crença de que, no final das contas, o talento individual é suficiente para remover as dificuldades, é uma atitude que não se vê apenas em relação ao futebol.

O erro que se comete em relação à Seleção se repete em outros aspectos da vida nacional..."

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