A Justiça do Rio afastou cautelarmente o presidente da Comissão Estadual de Controle Ambiental, Maurício Couto Cesar Junior, e autorizou mandados de busca e apreensão contra ele e outros servidores, em uma investigação sobre corrupção e crimes ambientais relacionados à concessão de licenças.
As investigações do Ministério Público do Rio apontam que decisões entre 2024 e 2025 favoreceram empreendimentos de alto impacto ambiental, ignorando pareceres técnicos e exigências legais, o que levanta sérias preocupações sobre a integridade das licenças ambientais emitidas.
Além do afastamento, a Justiça determinou a quebra de sigilos de dispositivos eletrônicos e proibiu o acesso de Couto às dependências do órgão, enquanto a operação resultou na apreensão de diversos equipamentos e valores, destacando a gravidade da corrupção no Inea.
A Justiça do Rio determinou o afastamento cautelar do presidente da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) e servidor efetivo do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Maurício Couto Cesar Junior. Também foi autorizado o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra ele e outros servidores da autarquia ambiental. O pedido foi obtido na Justiça pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão a Sonegação Fiscal do Ministério Público do Rio (MPRJ).
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Foram autorizados ainda 14 mandados de busca e apreensão, entre eles, do ex-presidente do Inea Renato Jordão Bussiere e do ex-vice-presidente da autarquia José Dias da Silva. São investigados crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e crimes ambientais, que teriam sido praticados para a obtenção de autorizações em desacordo com pareceres técnicos, exigências legais e procedimentos administrativos.
As medidas foram determinadas no âmbito da investigação que apura supostas irregularidades na concessão de licenças ambientais. Os mandados foram cumpridos nessa terça-feira (7) por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência.
De acordo com o MPRJ, decisões adotadas entre 2024 e 2025, no âmbito do Inea e da Ceca resultaram em favorecimentos a empreendimentos de alto impacto ambiental, relacionados à concessão de licenças de instalação e de operação, bem como à dispensa do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (Rima), apesar dos questionamentos formulados pelas áreas técnicas do próprio Inea e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A 1ª Vara das Garantias da Comarca da Capital também autorizou a quebra dos sigilos de aparelhos eletrônicos. A Justiça proibiu que Maurício Couto Cesar Junior tenha acesso às dependências do órgão e de manter contato com servidores.
Na ação, um dos alvos foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e conduzido à 9ª Delegacia de Polícia. Foram apreendidos equipamentos eletrônicos (aparelhos celulares, HDs externos, notebooks, pen drives e um ipad), relógios, documentos diversos, R$ 23.980 e 4.440 euros, além de um revólver calibre 38.
Denominada Operação Hidra de Lerna, a ação faz referência à criatura mitológica de múltiplas cabeças, em alusão à ampla contaminação do órgão pela corrupção.
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